Onze do onze de dois mil e onze. Fim do mundo inteiro não, fim de uma determinada visão do nosso pequeno mundo. Não há terramotos nem trombetas apocalípticas. O fim do nosso pequeno mundo é tão pequeno e tão fim que nem direito tem a ser grandioso. O fim das nossas glamorosas certezas democráticas, das nossas ideias de igualdade de oportunidades, dos nossos valores eleitorais, da nossa liberdade, é tão pequeno e continuado que a adaptação natural do ser humano, principalmente se governado ou representado por eunucos, não dá direito a grandes indignações.
Como é hábito ouvem-se as habituais vozes manifestantes de grande horror, que assim se indignam e manifestam desde o dia vinte e cinco do quatro de mil novecentos e setenta e quatro, e as habituais vozes rancorosas e saudosas do dia vinte e quatro do quatro de mil novecentos e setenta e quatro. Mas o que mais indigna é a manifestação vermiforme de quem se diz opositor e oposição e bale com a fraqueza de quem não sabe o que é grandeza nem alternativa, de quem procura um espaço para mostrar a tacanhez dos vencidos sem luta.
Onze do onze de dois mil e onze é uma data sem história, como na história ficarão alguns dos que se submetem ao poder dos incolores que pairam sobre o mundo sem fronteiras, ou com as fronteiras que esse poder incolor determina.

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