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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Do ferro com que se mata e com que se morre

O resvalar da política para o populismo, baseando hipocritamente as opções políticas em moralismos e caracteres impolutos, acaba sempre por cair em cima dos mais fundamentalistas. A transformação do espaço público numa telenovela em que se fazem ataques de carácter e se pedem desculpas aos cidadãos, no mais descarado exercício de demagogia e vazio de qualquer significado, desqualifica o exercício do poder e quem o exerce.

 

É exactamente isso que está a acontecer a Passos Coelho, como antes aconteceu a José Sócrates - denúncias anónimas sugerindo ilegalidades e crimes que depois não se provam, com o único intuito de colar aos personagens em questão o opróbrio de serem e fazerem o contrário do que apregoam e do que exigem que os outros sejam e façam.

 

Enquanto não houver provas factuais de que Passos Coelho foi pago por algum trabalho que tenha realizado, tem que ser considerado inocente. Quem acusa é que tem que provar o crime, não é o contrário. Felizmente ainda não foi aceite a inversão do ónus da prova.

 

Os governantes devem ser julgados nas eleições quanto ao exercício da governação, e nos tribunais quando cometem crimes. Tal como todos os outros cidadãos, têm direito ao bom nome e à presunção de inocência. A forma como Passos Coelho reagiu não terá sido de molde a acalmar as suspeitas. E o envolvimento da Assembleia da República e da Procuradoria-Geral da República são inaceitáveis e demonstram uma falta de respeito pelas Instituições a que, infelizmente, já nos habituou. No entanto penso que fosse qual fosse a sua reacção as suspeitas continuariam. Foi, é e será sempre assim.

 

Qualquer político que caia nesta tentação, tal como António José Seguro ao pedir ao Primeiro-ministro que autorizasse a devassa das suas contas bancárias, o que lhe foi negado e, quanto a mim, muito bem, está na mira dos detectives da podridão e da calúnia - mais cedo ou mais tarde será a sua vez.

 

Nota: lembrado por A. Teixeira, um precedente dos pedidos de desculpa. 

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