Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008
Agenda comunicacional
A criminalidade violenta, ou seja, a visibilidade da criminalidade violenta, é cíclica e sazonal, costuma acontecer nas férias de verão, e alterna com a intensidade dos incêndios e da área ardida.
Com falta de notícias sumarentas, sem bombeiros para falarem da inépcia dos governantes, nada melhor do que massacrar os cidadãos com os assaltos à mão armada, a ineficácia das polícias, a violência dos criminosos.
Claro que o PSD, também à falta de melhor ideias, pede logo a demissão do MAI. Sim, isto não se admite, se o ministro fosse Aguiar Branco, os ladrões e os assassinos já teriam mudado de país, ou ter-se-iam convertido à prática da caridade.
Melhor ainda esteve Cavaco Silva, que em vez de sossegar as pessoas que estão com a sensação de que serão mortas mal se acerquem de uma caixa multibanco ou encham o carro de gasolina, resolveu dizer que a onda de assaltos era uma coisa muito séria. O que não disse e devia dizer era que as medidas tomadas eram adequadas, que o aumento da criminalidade é sempre preocupante mas não é nada de espantoso, observando-se o que se passa no resto da Europa, e que os cidadãos podem confiar nas suas forças de segurança.
Claro que o responsável do Gabinete de Segurança, Leonel de Carvalho, apesar de afirmar que o crime aumentou cerca de 10%, nada catastrófico nem razão para tamanho alarido, sente que não tenho a categoria para que possa ser posto em causa por palavras do senhor presidente da República. Valha-nos Santo Ambrósio!
Mas a cereja em cima do bolo é José Magalhães mostrar disponibilidade para alterar o código do processo penal que, se não estou em erro, foi revisto em 2007!
E quem é que manobra a agenda política? É que parece que somos todos manobrados pela comunicação social.
Adenda:
(...) Em comunicado após a reunião, o Gabinete, que na quinta-feira tinha referido à agência Lusa que a criminalidade violenta tinha registado um aumento «ligeiramente acima dos 10%», refere ter analisado a evolução deste fenómeno, concluindo que registou um aumento de 15%.
De acordo com aquele organismo, apesar deste aumento, os números são inferiores a 2004 e 2006.
Por outro lado, a criminalidade participada cresceu 7% em relação a 2007, sendo o número global de crimes participados essencialmente idêntico ao dos anos de 2003 e 2004. (...)"
(bold e sublinhados meus)
Obrigada à Donagata e ao José Carlos. Ninguém se lembra das ondas de criminalidade dos anos de 2006 ou de 2004 porque deveria haver tsunamis de incêndios...
De
Donagata a 30 de Agosto de 2008 às 17:24
Concordo inteiramente com tudo o que dizes no post e também nas respostas a alguns dos comentários.
Infelizmente o bom senso desapareceu totalmente da nossa comunicação social que tem que empolar situações relativamente normais, embora algo preocupante e de atender, com vista a "vender".
Por outro lado, não muito melhor parecem estar os nossos políticos que não sabem muito bem como reagir perante estas "ondas". Se não sabem, inibam-se de reagir; pelo menos com pataquadas...
Já por várias vezes manifestei o meu apreço pelos seus posts , que considero muito certeiros.
Hoje escrevo para referir a minha concordância com AS SUAS RESPOSTAS a dois dos comentários que lhe fizeram. (Desculpe as maiúsculas mas, como sabe, nos comentários não temos bolds nem sublinhados...)
Subscrevo integralmente a sua análise. à falta de fogos reaias, a comunicação social ateou o fogo dos asssaltos dando-lhe uma proporção por vezes ridícula. Na 4ª feira, no jonal da SIC da meia-noie, repetiram três vezes a "onda de assaltos "do dia Não só é massacrante, como também vergonhoso.
Quanto à atoarda do José Magalhães, parece que já o mandaram calar. Parece!
olhe que não, olhe que não, ... Cara Sofia.
mas para se ter a noção da verdadeira dimensão do problema, é preciso ser conhecedor do que se passa nas esquadras de polícia. Se todas as ocorrências viessem para a agenda comunicacional, talvez deixássemos até, ... de ter vontade de sair de casa.
é um facto que há sempre quem queira e aproveite a oportunidade para retirar dividendos políticos. quer seja do PSD, ou do PS, conforme as situações.
Em bom rigor, a situação está crescentemente preocupante.
Há muito tempo. E não apenas em Governo PS.
Uma alteração ao nível do Código Processo Penal, é absolutamente necessária.
Se está errado, porque não alterar ?
Eu vou lendo os magistrados, aqui e ali, na net, e há unanimidade quanto a isso.
os meus cumprimentos.
Pézinhos n' ... Areia
Desconfio sempre muito destas ondas comunicacionais, que durante algumas semanas massacram e depois desaparecem e vaza a maré. Não digo que o aumento da criminalidade não seja preocupante, claro que é, mas não percebo a súbita e intensa preocupação, nomeadamente do Presidente.
Não tenho nada quanto a mudar a lei, mas o que me deixa preocupada é o número de vezes que as leis são alteradas e refeitas e revistas. Algo de estranho se passa.
Sofia, com esse nome e esse apelido, preferia concordar consigo, mas não me leve a mal que dê razão - quem sou eu?! - ao sr. pézinhos... Quanto à
mudança das leis, não incomoda desde que seja para melhor, para adequar à mudança da realidade - é esse o papel das leis.
É verdade que o aumento da criminalidade apresenta aspectos de sazonalidade, mas não é por isso menos grave.
Desculpe a extensão do texto. Melhores cumprimentos.
O nome e o apelido não têm nada a ver com a concordância ou a discordância sobre o que digo, António M P.
Mas respondo-lhe com uma parte desta notícia:
"(...) Em comunicado após a reunião, o Gabinete, que na quinta-feira tinha referido à agência Lusa que a criminalidade violenta tinha registado um aumento «ligeiramente acima dos 10%», refere ter analisado a evolução deste fenómeno, concluindo que registou um aumento de 15%.
De acordo com aquele organismo, apesar deste aumento, os números são inferiores a 2004 e 2006.
Por outro lado, a criminalidade participada cresceu 7% em relação a 2007, sendo o número global de crimes participados essencialmente idêntico ao dos anos de 2003 e 2004. (...)" - link : http :/ clix.visao.pt Pages /Criminalidadeviolentaaumentoucercade15.aspx
Estou de acordo em que se devem mudar as leis para melhor. Mas não percebo como é que as leis são mudadas tantas vezes, sem que haja sequer tempo de elas entrarem em acção. Que juristas temos nós?
Claro que o nome e o apelido não têm nada a ver com a concordância ou a discordância sobre o que diz. Foi apenas uma ironia que tomei a liberdade de tomar na suposição de que, pretendendo ser simpática, não seria abusiva. Desculpe se foi. E obrigado pela sua resposta à questão que interessa.
Não achei a ironia abusiva. Se calhar a minha própria ironia não foi conseguida.
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