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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Amanhã vamos votar

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Amanhã é dia de renovar a festa, o hábito, o vício da democracia. Votar, escolher, ter voz.

 

Que ninguém fique em casa. As assembleias de voto estão abertas muitas horas, ninguém precisa de faltar ao supermercado, à caminhada, ao futebol, ao almoço de família, ao café com os amigos, à missa, à meditação. Há tempo para tudo.

 

Se estiver frio vistam casacos, se estiver sol ponham chapéu, se chover levem guarda-chuva, se estiver calor vão de calções. Não razões nem desculpas.

 

Amanhã é dia de votar.

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 https://www.portaldoeleitor.pt/Paginas/Ondesevota.aspx

O regresso da extrema direita alemã

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Angela Merkel

 

 

Custa e preocupa muito apercebermo-nos de que a extrema direita alemã é a terceira força mais votada na Alemanha, regressando ao Parlamento donde estava afastada desde o fim da II Guerra Mundial.

 

Até hoje, e apesar dos diversos avisos, a liderança da Europa não tem ligado aos sinais de descontentamento dos cidadãos, nomeadamente em relação à União Europeia. A prolongada crise, as desigualdades e o voluntarismo dos partidos defensores da presente orientação política, empurrou todos os eurocépticos para a direita, pois não se sentem representados por nenhum partido tradicional. O último discurso de Juncker, com a proposta de um Ministro das Finanças comum, é mais uma fuga em frente na suposta necessidade de integração política, sem haja o cuidado de ter a explícita aprovação dos povos.

 

É claro que esta não é a única razão, mas parece-me uma razão muito importante. Para além disso o desaparecimento das gerações que viveram a II Grande Guerra, o terrorismo, a crise económica e a insegurança sentida dentro do espaço europeu, para além dos fluxos de refugiados, são mais razões para o aumento do racismo e da xenofobia.

 

É urgente o repensar da construção europeia, o respeito pelas democracias e pelas diferenças entre os vários Estados. São precisas novas políticas sociais, de emprego e de promoção da igualdade. Caminhamos a passos largos para um ciclo que acorda todos os nossos medos.

O Expresso como agente político de desinformação

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Expresso - 23/09/2017

 

 

Mais uma vez a agenda política é marcada pelo jornalismo do Expresso, que divulga um suposto relatório das "Secretas Militares" sobre Tancos, em que o ministro da Defesa e o General Rovisco Duarte seriam arrasados.

 

Passos Coelho e Assunção Cristas, tal como o Presidente da Comissão de Defesa, Marco António Costa, sem terem aprendido nada com o caso das listas de mortos de Pedrógão Grande, apressaram-se a criticar o governo e o Primeiro-ministro.

 

Já todos os supostos envolvidos na autoria de tal relatório desmentiram a sua existência. Mas isso não interessa. Em plena semana de campanha eleitoral para as autárquicas, mais uma vez tudo vale.

 

O Expresso é um actor activo, consciente ou não, do enterramento da credibilidade informativa. Se é que ainda alguém acredita nela, o Expresso apressa-se a desfazer todas as ilusões.

As caravanas

Chico Buarque

 

 

É um dia de real grandeza, tudo azul

Um mar turquesa à la Istambul enchendo os olhos

E um sol de torrar os miolos

Quando pinta em Copacabana

A caravana do Arará - do Caxangá, da Chatuba

 

A caravana do Irajá, o comboio da Penha

Não há barreira que retenha esses estranhos

Suburbanos tipo muçulmanos do Jacarezinho

A caminho do Jardim de Alá - é o bicho, é o buchicho, é a charanga

 

Diz que malocam seus facões e adagas

Em sungas estufadas e calções disformes

Diz que eles têm picas enormes

E seus sacos são granadas

Lá das quebradas da Maré

 

Com negros torsos nus deixam em polvorosa

A gente ordeira e virtuosa que apela

Pra polícia despachar de volta

O populacho pra favela

Ou pra Benguela, ou pra Guiné

 

Sol, a culpa deve ser do sol

Que bate na moleira, o sol

Que estoura as veias, o suor

Que embaça os olhos e a razão

E essa zoeira dentro da prisão

Crioulos empilhados no porão

De caravelas no alto mar

 

Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria

Filha do medo, a raiva é mãe da covardia

Ou doido sou eu que escuto vozes

Não há gente tão insana

Nem caravana do Arará

Sociedade tutelada

Acho completamente errada a pretensão do governo legislar para proibir de jogos de futebol em dias de eleição.

 

Os cidadãos são livres de ir ou não votar. Se consideram mais importante o futebol, por muito que custe, escolherão o futebol.

 

Então e os espectáculos de música? E o cinema? E as corridas? E ir à praia, andar de barco, ou fazer uma viagem longa? Também se proíbem?

Do incomensurável ridículo

Quem só lesse os títulos dos jornais, ficaria a pensar que a Geringonça estava por um fio, que o governo estava prestes a cair, tal o afundanço nas sondagens. 

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Afinal, o líder partidário que mais caiu, em relação às sondagens anteriores, foi mesmo Passos Coelho. Houve uma redução de intenção de votos no PS - de 0,5%. E um aumento no PSD - de 0,6%. A diferença entre a Geringonça (57,5%) e o PAF (35,5%), neste momento, e após todas as desgraças do Verão, que a direita explorou miseravelmente, é de 22%.

 

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De facto o governo desceu a sua popularidade, mas a oposição não lucra com isso. A tentativa que os jornais fazem para transformar uma situação estável em derrocada da Geringonça é patética e bem indicativa do desespero de quem agora defende a contratação de Assistentes Operacionais nas Escolas, e considera o crescimento fraco, após a legislatura de que ainda ninguém se esqueceu.

 

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