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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

E quais as conclusões políticas?

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Christine Lagarde

 

Afinal parece que as pessoas e os partidos que defendem e sempre defenderam uma reestruturação da dívida têm e tinham razão.

 

Quais vão ser as consequências? É agora que se vai avançar para a reestruturação da dívida? É agora que finalmente a Comissão Europeia vai fazer marcha atrás em relação à política que impôs nos últimos anos?

 

E se começássemos a falar de impostos mais progressivos para que quem mais tem seja quem mais pague? E se começássemos a falar da taxa Tobin? E se começássemos falar da redução dos horários de trabalho, não para 35h mas para 30h por semana, no público e no privado? E se começássemos a falar da renovação geracional dos quadros? E se começássemos a falar do aumento de emprego que isso significaria com a consequente melhoria na qualidade de vida, aumento da participação contributiva, perspectiva e segurança de emprego, para que as gerações que esperam indefinidamente a sua vez possam não ter que adiar cada vez mais a vontade de serem independentes, responsáveis, cidadãos activos, fundarem famílias, terem filhos? E se começássemos a pensar em investir na cultura, apostar na música como um elemento fundamental na educação e desenvolvimento das crianças e adolescentes?

 

E se retomássemos a ideia de procurar financiamentos para suprir as necessidades dos cidadãos em vez de as reduzirmos ao dinheiro existente? Não é assim que os empreendedores fazem? Não é isso o empreendedorismo?

Dos garruços revanchistas

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Bartoon

 

Finalmente a União Europeia decidiu com algum senso. Não digo muito porque a própria ideia de abrir um procedimento contra Portugal e Espanha por défice excessivo e o tempo que demorou até ao desfecho não fizeram nada bem, nem aos 2 países nem à própria União Europeia. Mas mais vale tarde que nunca.

 

Esta é uma vitória de António Costa e da Geringonça, em primeiro lugar, e de Marcelo Rebelo de Sousa em segundo. Tenho algum rebuço em parabenizar o trabalho de Carlos Moedas. Não percebo muito bem a entrevista em que se ufanou do difícil trabalho que tinha tido em convencer os seus Colegas - era o mínimo que se lhe exigia e, caso o resultado fosse o contrário, esperaria que se demitisse de imediato, tal como esperaria uma tomada de posição conjunta de todos os deputados europeus, em total repúdio. Mas enfim, está na moda a auto proclamação de importância e o auto elogio.

 

Estou convencida que o Brexit deu uma ajuda. Finalmente, tanto quanto é possível acreditar nas notícias que se lêem e ouvem, as cúpulas europeias terão percebido o inenarrável erro político de avançarem com penalizações, quando as populações nunca o compreenderiam e se afastariam ainda mais do que ainda se apelida de projecto europeu.

 

É também uma derrota de Passos Coelho, do PSD, do CDS e de todos os comentadores, analistas e jornalistas que, com ou sem mandato ideológico ou manobrista, fizeram uma autêntica campanha mediática endossando as inevitáveis sanções.

 

Mas claro que essa campanha de oposição sistemática e doentia contra o governo não acabou, nem acredito que tenha aclamado. Os jornais de hoje fazem eco dos inúmero problemas que antecipam, desde as medidas adicionais em 2016, com as sugestões da Comissão sobre o IVA, à monitorização trimestral das contas orçamentais pela Europa e à negociação do Orçamento de Estado para 2017 com o PCP, o BE e o PAN, com as manchetes da congelação salarial.

 

Ou seja: de fantasma em fantasma, a direita propagandista e revanchista vai somando garruços mas não desiste.

 

Que não desista também António Costa e a sua geringonça, que nós estamos a fazer o nosso papel - suspender a respiração pedindo que alguém não se coíba de nos resgatar a dignidade; a pedir-lhe que se lembre de medidas adicionais que penalizem aqueles que ganham com esta crise e com todas as crises; a aguentar os impostos (que não baixam), os parcos ordenados (que não sobem), as promoções nas carreiras (que não descongelam), o desemprego (que baixa muitíssimo pouco), e este calor insuportável (que não acaba). 

 

Vamos a banhos e a refrescos com a alma um pouco mais descansada, mas nada de adormecimentos, que em Setembro voltarão as Cassandras da desgraça a gritar os próximos dramas.

Da desatenção museológica Presidencial

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 Museu da Presidência

 

Hoje decidimos ir visitar o Museu da Presidência da República, que fica no conjunto de edifícios e jardins que constituem o Palácio de Belém.

 

O Museu ocupa dois andares de um edifício mesmo ao lado da rampa de acesso ao Palácio e de uma delegação de Correios. À entrada precisamos de passar por um detector de metais. Os bilhetes custam 2,50€. Inicia-se por uma pequeníssima explicação do que foi a implantação da República e dos seus símbolos – hino e bandeira. Depois aparecem os retratos de todos os Presidentes, com uma pequena nota, num tablet (alguns estão desactivados ou avariados), sobre cada um deles. Numa parede podem observar-se três vídeos, com áudio (auscultadores), sobre a Primeira República, o Estado Novo e a Democracia (têm que se ver e ouvir de pé). Há ainda um e-book que podemos folhear sobre as Primeiras-Damas, bastante resumido.

 

Segue-se uma exposição de objectos ofertados aos Presidentes da República de Portugal, por vários dos convidados presidenciais e/ou reais de outros países e/ ou reinados, aquando das suas visitas oficiais. Há ainda alguns expositores das condecorações honoríficas, com escassas explicações. Termina com uma maqueta do Palácio de Belém e uma pequena história do mesmo e de como se transformou em Palácio presidencial.

 

Se gostei? Sim, gostei, mas soube-me a muito pouco. A sensação com que se fica é que haveria muitíssimo mais a dizer, que se poderia ter aproveitado, por exemplo, cada Presidente para o enquadrar historicamente, contar um pouco da sua história e das suas circunstâncias. Não há menção à história dos retratos, de quem os fez, algo sobre os artistas, nada. As informações sobre as Primeiras-Damas também são muitíssimo sumárias, não se percebendo exactamente qual o papel, se é que o tiveram, na altura em que os respectivos maridos (ou companheiros) tinham assumido a Presidência.

 

Quanto às condecorações, não há quaisquer explicações sobre o que são, como surgiram, a quem se destinam, qual a mais importante e porquê. O mesmo em relação ao Palácio – o que é que se passa e aonde – o Palácio é enorme – fotos ou vídeos ou documentos sobre acontecimentos que lá se teriam passado e aonde, etc. Os vídeos que estão disponíveis deveriam ter, pelo menos, uma cadeirinha para os visitantes se sentarem.

 

A loja não tem muita oferta, nomeadamente os tais vídeos que poderiam ser um bom e útil motivo de lembrança.

 

Enfim, parece-me que o anterior Director do Museu (Diogo Gaspar) não ficará célebre pela excelência do seu trabalho. Isto para não mencionar a tímida divulgação e promoção que tem (o site também está pouco atractivo, convenhamos). Acho um desperdício pois é uma excelente e interessante ideia, mas com uma concretização desleixada.

 

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Maqueta do Palácio de Belém

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Vacancy

Paul Hazelton 

 

 

Levanto pó quando desloco os olhos para o infinito.

Não há infinito que se mova sem pó

nem movimento sem olhos que o observem.

Nem eu.

 

Desato o ruído quando leio o pó que cobre o mundo.

Não há mundo que se escreva sem pó

nem ruído que se desate sem o sopro que o cobre.

Nem tu.

 

Amasso o barro quando arrumo o pó que molda o corpo.

Não há corpo que se molde sem pó

nem barro que se arrume sem o amasso das mãos.

Nem nós.

Solidão

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João Queiroz

 

Escorro pelas paredes e encaixo-me num canto

evito as janelas sedenta de ar e de nuvens

cerro todas as portas por onde anseio partir.

 

Lá fora pode parecer que a vida se mostra

e que os olhos se habituam à luz

quando a verdade descai dos ombros e evapora.

 

Aquilo a que chamamos alma é a culpa

concentrada e a mais antiga prova

da nossa eterna e inescapável solidão.

Anda tudo a brincar uma brincadeira de muito mau gosto

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Bruxelas propõe suspensão de 16 fundos estruturais como sanção contra défice excessivo

Expresso - 23/07/2016 às 16h17

 

Bruxelas propõe suspensão de 16 fundos estruturais como sanção

Diário de Notícias - 23/07/2016 às 15h03

 

Sanções: Bruxelas quer parar todos os Programas Operacionais Regionais. E outros

TSF - 23/07/2016 às 15h16

 

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Comissão Europeia desmente suspensão de 16 fundos estruturais em Portugal

Expresso - 23/07/2016 às 15h16

 

A dúvida. Bruxelas quer ou não cortar fundos?

Diário de Notícias - 23/07/2016 às 20h33

 

Sanções: proposta de corte de fundos estruturais não existe

Diário de Notícias - 23/07/2016 às 22h25

Empreendorismo caseiro

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A pouco e pouco vão aparecendo vários ingredientes para novos licores. O empreendedorismo em acção e a rede informal de alimentadores de empresários sazonais (que, no meu caso, já se estende do 4º trimestre para o 2º semestre), baseados na troca de géneros e de afectos, tão na moda após a tomada de posse do nosso irrequieto e hiperactivo Presidente.

 

Há já alguém que me traz fisálide ou alquequenge (Physalis) ou capucha (nos Açores), outra que me colhe as folhas da figueira, outra que me enche de mirtilos, para não falar de quem me supre de aguardente velha e caseira. Tudo completamente ecológico e biológico, aproveitando o que a natureza fornece, para reduzir o desperdício e proceder à indústria transformadora de água em vinho (com algumas passagens pelo meio, porque de Jesus Cristo não tenho rigorosamente nada).

 

Já descobri, entretanto, umas garrafas descomunais para poder guardar as litradas licorosas resultantes destas tardes a destilar calor, a mexer e a filtrar xaropes. Este Natal, para não variar, sofia&companhia.bebe (e também .come) voltam a atacar.

 

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A área de artesanato correspondente ao engarrafamento, elaboração, corte e colagem de rótulos é uma empresa gémea e necessariamente associada à primeira. Nesta casa todos os anos nascem e morrem empresas uninominais e pessoais, o que também contribui para a energia laboral, mesmo que a escassa legislação não diferencie o patronato das massas trabalhadoras.

Oceanário

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Quantas vezes nos acontece ficar desiludidos após a visita a um museu ou a uma exposição, depois de ver um filme ou ler um livro, talvez porque esperámos demais ou alimentámos fantasias perante histórias e imagens para além da realidade.

 

Pois com a minha visita ao Oceanário de Lisboa aconteceu precisamente o contrário.

 

Um aquário gigantesco, muito bem orientado, com bastante informação, observando-se um enorme cuidado com os espaços, as luzes, a forma como se fornecem pequenos conteúdos educacionais e ainda os pequenos fragmentos de poemas da Sophia de Mello Breyner, para que se possam ler em pequenos cantos de admiração e descanso.

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Falo da exposição permanente, pois foi a que visitei. Os vários tipos de ecossistemas marinhos, com a fauna e a flora típicas, e aquela enorme montra em que podemos observar inúmeros tipos de peixe, majestosamente nadando de um lado para o outro, num filtro de luz azulado e crua, mas que emite uma paz e uma serenidade que casam bem com a poesia.

 

Muitos miúdos, como era de esperar, e muito bem dispostos!

 

Gostei imenso e aconselho vivamente a quem ainda não conhece que não perca.

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Iremos juntos sozinhos pela areia

Embalados no dia

Colhendo as algas roxas e os corais

Que na praia deixou a maré cheia.

 

As palavras que disseres e que eu disser

Serão somente as palavras que há nas coisas

Virás comigo desumanamente

Como vêm as ondas com o vento.

 

O belo dia liso como um linho

Interminável será sem um defeito

Cheio de imagens e conhecimento.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen (1954)

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