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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Do acosso

debate parlamento.jpg

 

Não é com surpresa que assistimos ao coro mediático de um jornalismo acrítico sobre os cortes de rating a Portugal. É conhecida esta prática.

 

O que é mais extraordinário é a replicação sem qualquer análise dos títulos mais ou menos alarmistas, esquecendo-se de todas as considerações sobre o resultado do ajustamento português feitas por várias Instituições internacionais, já para não falar da observação do que se passou ao fim dos 4 anos da política que tanto agradou às agências de rating, e à falta de credibilidade das mesmas.

 

Mais extraordinária é a desfaçatez de uma maioria que não acertou em nenhuma das suas previsões estar tão espantada e céptica com as deste governo. Mas ninguém aprendeu nada. Ou a barragem propagandística da direita continua a hegemonizar os media portugueses.

 

O que se espera é que o governo de Portugal, País soberano e membro da Europa, negoceie com os seus parceiros sem se dobrar a todas as exigências de Bruxelas, independentemente da vontade expressa dos seus cidadãos. Tudo isto é normal e desejável, ao contrário do que os protagonistas da direita (políticos assumidos e não assumidos) que nos tentam convencer de que é radicalismo a vontade de cumprir a democracia.

 

Quanto aos mercados e às agências de rating, esperemos calmamente pelo fim das negociações.

Iberia live

manuel oliveira

IBERIA LIVE

 

Ontem assisti a um espectáculo de excepção. Fiquei surpreendida, não pelo brilhantismo de Manuel de Oliveira, que admiro desde há muito, mas pela inesperada variabilidade e diversidade do que ouvi, uma mistura de guitarra portuguesa, flamenco, jazz, fado e cante alentejano, num crescendo de virtuosismo, com excelentes solos de guitarra Manuel Oliveira), baixo (Carles Benavent), acordeão (João Frade), piano (Paulo Barros), flauta (Jorge Pardo) e bateria (Marito Marques).

 

Paulo de Carvalho foi portentoso e a cantora de flamenco, da qual não retive o nome, acompanhou-o bastante bem. O momento do cante foi extraordinário, apenas com o ligeiro senão de ter sido difícil entender as letras, o que foi uma pena.

 

Muitos e muitos parabéns ao Manuel de Oliveira e ao seu grupo, e espero que tenha aproveitado para gravar todo o espectáculo, pois bem merecemos um CD.

 

Não percam, no Porto e em Guimarães. É mesmo extraordinário.

E o novo Presidente...

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... será Marcelo Rebelo de Sousa. Sem surpresa, pois todas as sondagens o previam.

 

Tenho pena que não tenha havido uma segunda volta. Marcelo não foi o meu candidato mas será o meu Presidente. Depois de Cavaco Silva terá a ciclópica tarefa de restituir ao cargo e à função a dignidade e a importância que ele tem.

 

É triste, mas espectável, a colagem que já se vê o PSD e o CDS a fazerem à vitória de Marcelo, tirando conclusões de reduções de maiorias sociológicas de esquerda. Sem qualquer adesão à realidade. Marcelo Rebelo de Sousa não foi o candidato do PSD e do CDS, com aliás deixou bem claro durante a campanha. O PS desistiu destas eleições, quanto a mim muito mal, e desde há muito considero. Mas a maioria parlamentar que suporta o governo nada tem a ver com a soma das votações dos candidatos de esquerda. Muitos eleitores desse espectro político não terão sequer votado por não se reverem em nenhuma das candidaturas.

 

Uma coisa é certa: mudámos para melhor, sem qualquer dúvida.

 

Esperemos que o novo Presidente nos surpreenda pela positiva. Aguardo grande turbulência mas, ao mesmo tempo, algum divertimento.

 

Mais uma vez se prova o meu inconseguimento absoluto nestas matérias, eu que sempre defendi que Marcelo nunca se candidataria.

Sementes

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Gowri Savoor

 

1.

Crescemos em poemas trilhados de plenitude

os nossos olhos virados para dentro

nas mãos traçadas de infinito

escolhos do quotidiano embaraços de existir

secretas armas de arremesso

geminadas de contrários tórridos e celestes.

 

Crescemos plenos de incertezas e agruras

na terra as sementes do fortuito desempenho

no amor que espalhamos no amor que trituramos

debulhadas as arestas na suavidade das manhãs

protegidos pela dolência dos poemas

alimento e mortalha da vida que lavramos.

 

2.

Já me atirei contra o tempo

desfeita de névoa e espuma.

Agora encolho e definho

para que o tempo se resuma

e me consuma

no caminho.

 

...

1.
Crescemos em poemas trilhados de plenitude
os nossos olhos virados para dentro
nas mãos traçadas de infinito
escolhos do quotidiano embaraços de existir
secretas armas de arremesso
geminados de contrários tórridos e celestes.

Crescemos plenos de incertezas e agruras
na terra as sementes do furtuito desempenho
no amor espalhamos no amor que trituramos
debulhadas as arestas na suavidade das manhãs
protegidos pela dolência dos poemas
alimento e mortalha da vida que lavramos.

2.
Já me atirei contra o tempo
Desfeita de névoa e espuma
Agora encolho e definho
Para que o tempo se resuma
e me consuma
o caminho.

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