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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Novo ciclo

Não é demais lembrar a forma como foram implementadas as chamadas primárias no PS – foi um expediente que António José Seguro usou para ganhar tempo e tentar arrastar a disputa pela liderança. Não só não concordava com a abertura da votação aos simpatizantes como não pensou nas implicações de uma tal decisão.

 

António Costa aceitou o repto até porque não havia outra solução. Mas parece-me que todo este assunto deveria ser repensado, pois há muitas pontas soltas e incongruências – a maior delas o facto de António Costa não ter existência em nenhum cargo formal no partido, visto que não existe a figura de candidato a Primeiro-ministro. Hipoteticamente é possível que o candidato derrotado se apresente às directas, o que não faz sentido. Portanto ouvirmos António José Seguro ufanar-se da brilhante e histórica ideia que teve é uma mistificação.

 

Independentemente de tudo isso, ontem começou um novo ciclo político. Está na altura de congregarmos ideias e esforços para vencer a crise, a crise de ânimo, de energia, de mobilização e de princípios. É altura de renovarmos o contrato de solidariedade entre todos os cidadãos, de relembrarmos o que de essencial é preciso preservar na vida comunitária.

 

Não deixa de ser interessante ouvir os comentadores criticarem António Costa por não se ter referido a António José Seguro, no seu discurso de vitória. António Costa disse que não havia derrotas e que a vitória era de todos. Se tivesse cumprimentado o seu adversário não faltariam quem o acusasse de hipocrisia, aliás com toda a razão.

 

Entretanto Jerónimo de Sousa continua igual a si próprio ao classificar as primárias do PS como uma farsa. Por aí não há novidades.

Do ferro com que se mata e com que se morre

O resvalar da política para o populismo, baseando hipocritamente as opções políticas em moralismos e caracteres impolutos, acaba sempre por cair em cima dos mais fundamentalistas. A transformação do espaço público numa telenovela em que se fazem ataques de carácter e se pedem desculpas aos cidadãos, no mais descarado exercício de demagogia e vazio de qualquer significado, desqualifica o exercício do poder e quem o exerce.

 

É exactamente isso que está a acontecer a Passos Coelho, como antes aconteceu a José Sócrates - denúncias anónimas sugerindo ilegalidades e crimes que depois não se provam, com o único intuito de colar aos personagens em questão o opróbrio de serem e fazerem o contrário do que apregoam e do que exigem que os outros sejam e façam.

 

Enquanto não houver provas factuais de que Passos Coelho foi pago por algum trabalho que tenha realizado, tem que ser considerado inocente. Quem acusa é que tem que provar o crime, não é o contrário. Felizmente ainda não foi aceite a inversão do ónus da prova.

 

Os governantes devem ser julgados nas eleições quanto ao exercício da governação, e nos tribunais quando cometem crimes. Tal como todos os outros cidadãos, têm direito ao bom nome e à presunção de inocência. A forma como Passos Coelho reagiu não terá sido de molde a acalmar as suspeitas. E o envolvimento da Assembleia da República e da Procuradoria-Geral da República são inaceitáveis e demonstram uma falta de respeito pelas Instituições a que, infelizmente, já nos habituou. No entanto penso que fosse qual fosse a sua reacção as suspeitas continuariam. Foi, é e será sempre assim.

 

Qualquer político que caia nesta tentação, tal como António José Seguro ao pedir ao Primeiro-ministro que autorizasse a devassa das suas contas bancárias, o que lhe foi negado e, quanto a mim, muito bem, está na mira dos detectives da podridão e da calúnia - mais cedo ou mais tarde será a sua vez.

 

Nota: lembrado por A. Teixeira, um precedente dos pedidos de desculpa. 

Do futuro próximo

 

As mesas de voto estafam com fila, cheias de gente que quer escolher aquele que melhor se opuser a esta direita que nos govera.

 

Quando há razões os cidadãos mobilizam-se e participam. Estou muito esperançada numa vitória folgada de António Costa.

Em defesa do SNS

(...) Dois terços dos doentes não deviam estar no hospital

 

(...) A comissão da Fundação Calouste Gulbenkian que no último ano e meio se dedicou a estudar o quebra-cabeças da sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde concluiu que dois terços dos doentes atendidos nos hospitais devia antes ter acesso a mais cuidados de proximidade, como apoios no domicílio. A comissão vai agora lançar três projectos para mostrar que é possível uma mudança de paradigma, estimando poupanças para o Estado superiores a 200 milhões de euros por ano. Os peritos defendem que esta mudança é mais vital para a sustentabilidade financeira do SNS do que haver mais dinheiro. (...)

 

(...) A Gulbenkian defende que a mudança no sistema para uma organização mais centrada nas pessoas não pode esperar. (...)

 

 

Portugal precisa (...)

 

(...) muitos internamentos acontecem por falta de outras soluções, de apoio às famílias e de criação de soluções na comunidade. (...)

 

(...) Muito do que se quer mudar, a partir de agora, fica resumido num ditado africano, referiu: “a saúde faz-se em casa, o hospital é para reparações”. Ou seja, em vez de canalizar o financiamento em saúde quase todo para o Sistema Nacional de Saúde (hospitais, centros de saúde, medicamentos) é preciso agir sobretudo fora dele, passando-se de um paradigma “da doença para um centrado na saúde”. É o discurso da prevenção. (...)

 

Este é um assunto que me preocupa há muito tempo. Não se pode esperar, é preciso começar a realizar.

Les Feuilles Mortes

Yves Montand

Philippe Jaroussky

 

Eric Clapton
Oh je voudrais tant que tu te souviennes

Des jours heureux où nous étions amis
En ce temps là, la vie était plus belle
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle
Tu vois je n'ai pas oublié
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle
Les souvenirs et les regrets aussi
Et le vent du nord les emportet
Dans la nuit froide de l'oubli
Tu vois, je n'ai pas oublié
La chanson que tu me chantais

C'est une chanson, qui nous ressemble
Toi tu m'aimais, et je t'aimais
Et nous vivions tout les deux ensemble
Toi qui m'aimais, moi qui t'aimais
Mais la vie sépare ceux qui s'aiment
Tout doucement sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Le pas des amants désunis

C'est une chanson, qui nous ressemble
Toi tu m'aimais et je t'aimais
Et nous vivions, tous deux ensemble
Toi qui m'aimait, moi qui t'aimais
Mais la vie sépare ceux qui s'aime
Tout doucement sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Le pas des amants désunis.

 

Jacques PrévertJoseph Kosma

... da maravilhosa Sericaia (pouco) alentejana...

 

 

Faltava, portanto, a prova de fogo, a dita Sericaia. Como está na moda ser-se provinciano e lutar contra as elites desta Capital de gente malformada, é sempre bom assumir a minha condição de alentejana: é verdade, nasci em Vendas Novas.

 

Ao lume com 1/2 litro de leite gordo, raspa de 1 limão (com o inexcedível Microplane) e 2 paus de canela; antes, no entanto, liguei o forno com um tabuleiro redondo e baixo de cerâmica vidrada, para aquecer. Bati 6 gemas com 200g de açúcar até ficar um creme branco e fofo, juntei 75g de farinha e bati de novo até ficar tudo homogéneo. Foi misturando o leite, já arrefecido e levei ao lume até engrossar.

 

Depois bati as 6 claras em castelo firme (com uns grãozinhos de sal) e incorporei as claras no preparado anterior, depois de este arrefecer (estes arrefecimentos aumentam o tempo de confecção mas previnem alguns desastres, como a cozedora inapropriada de claras e grumos no creme). Coloca-se a mistela no recipiente que está em brasa, com cuidado e às colheradas (confesso que deitei tudo lá para dentro sem o pormenor das colheradas), cobre-se de bastante canela e deixa-se a cozer no forno durante 25 minutos em forno alto nos primeiros 10 e médio nos restantes.

 

Quando arrefeceu o centro ficou com um aspecto bastante encolhido, convenhamos.

Das ameixas de Elvas que se urbanizaram...

 

Embora seja o tradicional dia do Senhor, para mim é dia da gula - um dia na semana que começa com um pequeno almoço partilhado num tabuleiro empoleirado nos joelhos, por sua vez dentro dos lençóis. Já há bastante tempo que não me aventurava pelos tortuosos caminhos culinários. Hoje, depois de um cozido à montanheira feito pelo Chefe cá de casa, resolvi que era tempo de experimentar a sericaia com ameixas de Elvas. Para dizer a verdade ainda equacionei a hipótese de substituir as ameixas de Elvas por outro doce qualquer, dando-lhe um toque de adaptação ou não fosse eu uma inveterada indisciplinada no que concerne à confecção de doces.

 

Mas não. Decidi que ia seguir à risca (enfim..., quase) a receita que encontrei neste blogue, muito bom e muito bem explicado. Ontem comprei ameixas pequeninas numa frutaria cujos donos são indianos, o que dificulta um pouco a comunicação, porque percebo mal o que dizem. Nada como os gestos para ultrapassar este pequeno problema.

 

E assim escolhi as ameixas mais duras, contei 3 por pessoa e pesei-as; coloquei-as num tacho cobertas de água e deixei ao lume durante 30 minutos depois de levantar fervura. Juntei o peso em açúcar e ficou ao lume até ao ponto de estrada; deixei arrefecer e repeti a operação 4 vezes - levantar fervura, ferver por 2 ou 3 minutos e arrefecer (juntei um pouco de água de cada vez porque a calda estava a ficar demasiado grossa).

 

Hoje estavam prontas.

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