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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Cortina de fumo

 

As primeiras notícias eram animadoras e, confesso, tirei interiormente o chapéu a António José Seguro.

 

Mas já se percebeu que é tudo uma cortina de fumo - primárias abertas? Sem alteraçõa de estatutos? Estatutos alterados sem congresso? E tudo para quando? E onde estavam tão interessantes medidas que só agora viram a luz do dia? E a reforma eleitoral retirada da cartola, com a populista defesa de redução do número de deputados?

 

Espero bem que António Costa consiga angariar as assinaturas necessárias para a convocação de um congresso extraordinário.

 

Das causas perdidas

  

 

António José Seguro resolveu votar a favor da moção de censura do PCP que considera todos os governos, desde 1975, reaccionários, de direita revanchista, igualando o PS apo PSD e ao CDS.

 

António José Seguro decide não estar presente no debate da moção de censura porque considera ser um frete ao governo.

 

Valha-nos Santo Ambrósio, Santo Expedito ou São Judas Tadeu, ou os três ao mesmo tempo!

 

Don´t stop me now

 

Queen

 

Tonight I'm gonna have myself a real good time
I feel alive and the world I'll turn it inside out - yeah
And floating around in ecstasy
So don't stop me now don't stop me
'Cause I'm having a good time having a good time

I'm a shooting star leaping through the sky
Like a tiger defying the laws of gravity
I'm a racing car passing by like Lady Godiva
I'm gonna go go go
There's no stopping me

I'm burnin' through the sky yeah
Two hundred degrees
That's why they call me Mister Fahrenheit
I'm trav'ling at the speed of light
I wanna make a supersonic man out of you

Don't stop me now I'm having such a good time
I'm having a ball
Don't stop me now
If you wanna have a good time just give me a call
Don't stop me now ('Cause I'm having a good time)
Don't stop me now (Yes I'm havin' a good time)
I don't want to stop at all

Yeah, I'm a rocket ship on my way to Mars
On a collision course
I am a satellite I'm out of control
I am a sex machine ready to reload
Like an atom bomb about to
Oh oh oh oh oh explode

I'm burnin' through the sky yeah
Two hundred degrees
That's why they call me Mister Fahrenheit
I'm trav'ling at the speed of light
I wanna make a supersonic woman of you

Don't stop me don't stop me
Don't stop me hey hey hey
Don't stop me don't stop me
Ooh ooh ooh, I like it
Don't stop me don't stop me
Have a good time good time
Don't stop me don't stop me ah
Oh yeah
Alright

Oh, I'm burnin' through the sky yeah
Two hundred degrees
That's why they call me Mister Fahrenheit
I'm trav'ling at the speed of light
I wanna make a supersonic man out of you

Don't stop me now I'm having such a good time
I'm having a ball
Don't stop me now
If you wanna have a good time (wooh)
Just give me a call (alright)
Don't stop me now ('cause I'm having a good time - yeah yeah)
Don't stop me now (yes I'm havin' a good time)
I don't want to stop at all
La da da da daah
Da da da haa
Ha da da ha ha haaa
Ha da daa ha da da aaa
Ooh ooh ooh

 

Ganhar e perder o país

 

Não me interessa se António Costa é casado, divorciado, pai de 20 filhos ou de nenhum, abstémio ou boémio, se é simpático para os vizinhos ou se recicla o lixo. Interessa-me que tenha ideias para o país, que saiba o que quer fazer enquanto governante e que consiga arranjar consensos com os companheiros políticos democráticos, para um governo que possa dar esperança a todos os cidadãos.

 

O sebastianismo existente na hipótese António Costa é um facto. Que ele já deveria ter avançado há mais tempo, também. O que é inquestionável, no entanto, é que depois das últimas eleições se tornou óbvio que esta liderança do PS não corresponde aos anseios dos portugueses e vai perdendo cada vez mais adeptos. Esta conclusão deveria ter sido assumida por António José Seguro na própria noite das eleições.

 

Não vale a pena estarmos a procurar razões morais ou imorais, de vingança ou de sede de poder. Querer o poder não é necessariamente negativo. O poder legítimo e democrático é importante para que se possam implementar as políticas em que se acredita. 

 

Ninguém nega a legitimidade de António José Seguro como Secretário-Geral. O problema é que, fora do partido, os portugueses não lhe reconhecem estatura para liderar o país. E se o poder que António José Seguro quer, legitimamente, for para o exercer em prol do bem comum, deveria perceber que é tempo de dar hipótese a outro ou outros de fazerem melhor.

 

Não sou militante do PS, não conheço António José Seguro nem António Costa, não espero qualquer pagamento nem temo retaliações. Já votei em mais de uma força partidária mas reconheço, no PS, o partido que poderá aglutinar a esquerda democrática para governar o país. Se o PS se limitar a ser um aparelho com regras que perpetuem clientelas, é a própria democracia que está em causa.

 

E não esqueço que a direita que nos governa teve uma estrondosa e merecida derrota. E não esqueço que deveria ter sido ainda maior. E principalmente não me esqueço que, sem alternativa credível à esquerda, a direita que nos governa poderá ganhar as próximas eleições.

 

Se António Costa não ganhar o partido, também não ganhará o país. Mas António José Seguro já perdeu o país, mesmo que continue a ganhar o partido.

 

Ainda é tempo

 

 

António Costa levantou-se. Finalmente! É preciso que, rapidamente, a estrutura partidária se convença de que, deste modo, está a afastar-se cada vez mais da realidade.

 

António José Seguro não tem alternativa senão convocar eleições dentro do partido. Se o não fizer, as próximas legislativas poderão estar irremediavelmente perdidas para o PS. Não há estatutos que lhe salvem a imagem, caso se esconda atrás deles para fugir à provocação de António Costa.

 

Alguma coisa tem que mudar. É indispensável que todos olhemos para o futuro próximo e tentemos perceber como se irá formar um governo. O PCP, para não variar, já veio avisar que o problema são as políticas. Mais uma razão para que o PS tenha obrigatoriamente de mobilizar o voto da população. Mais uma razão para partidos, como o LIVRE, englobarem a esquerda do PS e protagonizarem acordos para a legitimação de um governo de esquerda em coligação.

 

António Costa foi corajoso. Que António José Seguro mostre coragem e aceite o desafio.

 

Ainda há tempo

 

 

António José Seguro está em fuga para a frente, entrincheirado com os seus indefectíveis, cego e surdo aos eleitores. Há sondagens em relação às próximas legislativas que ainda são mais desastrosas do que as eleições de ontem.

 

Até quando vai o PS esperar para mudar de liderança. Aqueles que são mais lúcidos têm a responsabilidade dessa lucidez e, já que António José Seguro não percebe que tem que se ir embora, é bom que alguém lhe faça entender que este resultado não tem nada a ver com o governo anterior à crise nem com Sócrates, antes ou depois. Este resultado é o que se poderia esperar de quem não teve nem tem ideias para o país, de quem não tem capacidade de mobilizar as pessoas, de quem não tem alternativas. É confrangedor ouvir as suas entrevistas, no táxi, a dizer que se dá bem com os vizinhos, como há pouco vi na SIC-N.

 

Temos que acabar de vez com esta pseudo política pseudo humana e pseudo simpática de pseudo corações em pseudo líderes. Não me interessa que sejam mais ou menos delicodoces, que peçam desculpa ou com licença, que sejam gordos ou magros. Interessa-me que governem, que imaginem, que sonhem e que concretizem.

 

Há ainda tempo para a mudança - mas tem que começar dentro do PS.

 

 

Vitórias e derrotas

 

 

 

Não houve surpresas, nem em Portugal nem na Europa.

 

A abstenção foi gigante, como era de prever, por razões nossas e europeias. A derrota da Aliança Portugal, apesar de expressiva, soube-me a pouco. A vitória do PS foi uma estrondosa derrota. O PS, depois de 3 anos de uma governação que empobreceu o país, que mentiu de forma desavergonhada, que tem desmantelado o Estado, os serviços públicos e a segurança social, que aumentou as desigualdades sociais, não consegue uma diferença superior a 4%. É, de facto, muito mau.

 

É altura de, no PS, se tirarem as devidas conclusões - com esta liderança há a possibilidade de o PS perder, inclusivamente, as próximas eleições legislativas.

 

O LIVRE não conseguiu eleger Rui Tavares, infelizmente. Gostaria muito que o tivesse conseguido.

 

O BE está a esfarelar-se, o que é uma boa notícia.

 

O PCP e o Marinho Pinto foram os grandes vencedores da noite. É, de facto, um artefacto do artesanato português a existência e a pujança de um partido tão anquilosado como o PCP. Marinho Pinto é um fenómeno populista, como acontece nestes períodos de grande crise das instituições.

 

Em França ganhou a extrema-direita, se bem que concordo com Sócrates - houve uma penalização dos partidos que contribuíram para esta Europa, como se percebe pela vitória do partido de extrema esquerda na Grécia.

 

Aguardemos as repercussões dos resultados eleitorais. Espero sinceramente que tenham algum efeito, nomeadamente a substituição da liderança do PS.

 

 

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