Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Opções políticas

 

As declarações de Passos Coelho, na entrevista, não são mais do que a afirmação de uma opção política por outro tipo de organização social. Tudo o que tem sido repetido em relação à insustentabilidade das funções sociais do estado, pelo depauperamento do mesmo (cuja responsabilidade foi e é dos governos do PS, como ainda alguns defendem, nomeadamente José Gomes Ferreira), foi apenas a preparação para a implementação de um estado mínimo e não interventor, deixando de ter um papel na garantia da equidade e da igualdade de acesso à educação, à saúde e no combate à pobreza.

 

De certa forma têm razão aqueles que pedem ao Presidente da República que demita o governo, pois esta opção política não foi sufragada pelos cidadãos. Para isso também devem pedir novas eleições, em que a reforma das funções do estado seja debatida e todos possam votar em consciência. Só que o Presidente da República foi cúmplice da campanha negra a que assistimos antes das eleições de 2011, tendo participado activamente para o assalto ao poder por esta maioria.

 

Por outro lado, o líder do maior partido da oposição está tão preocupado em limpar-se de ter sido do PS na época dos governos de José Sócrates que não encontra espaço, imaginação ou capacidade para ter ideias e alternativas credíveis para o país. Também os partidos à sua esquerda já deixaram bem claro que o seu combate é contra o PS, não contra a maioria de direita que nos governa ou a favor de uma solução governativa de esquerda.

 

A entrevista foi uma tristeza. Ficamos a saber que teremos educação obrigatória em menos anos, pois a gratuitidade é só para o ensino básico, que o regime de prestações sociais vai ser reduzido, que vamos ter cada vez mais impostos e cada vez menos serviços públicos.

 

Economia aberta, ganhos de mercado – palavras vazias como vazias são as esperanças dos cidadãos.

 

Demissão do PS

 

É difícil encarar as notícias do país. António José Seguro conduz uma oposição inqualificável. Na verdade não é oposição, é mesmo uma das estacas deste governo. Não há alternativa e o Presidente da República deixou de fazer parte do jogo político.

 

Até quando os socialistas se demitem de procurar um líder alternativo? Até quando se pode o Presidente alhear da situação do país?

 

Dessas juras que se fazem

Né Ladeiras

 
Lara Li

 
Rui Veloso
 
 

Jura que não vais ter uma aventura

Dessas que acontecem numa altura

E depois se desvanecem

Sem lembrança boa ou má

E por isso mesmo se esquecem

 

Jura que se tiveres uma aventura

Vais contar uma mentira

Com cuidado e com ternura

Vais fazer uma pintura

Com uma tinta qualquer

Que o ciúme é queimadura

Que faz o coração sofrer

 

Jura que não vais ter uma aventura

Porque eu hei-de estar sempre à altura

De saber

Que a solidão é dura

E o amor é uma fervura

Que a saudade não segura

E a razão não serena

Mas jura que se tiver de ser

Ao menos que valha a pena

 

Um dia como os outros (121)

 



(...) 3. Vale a pena ler o parecer da CNECV. Podemos discordar dele mas está técnica e cientificamente fundamentado e responde às questões colocadas. Em particular, identifica de forma exaustiva as condições, as instituições e os profissionais que devem, em diferentes fases, ser envolvidos na discussão pública e na tomada de decisão política sobre matérias como a racionalização dos gastos com os cuidados de saúde.


4. Perante o parecer da CNECV, gerou-se uma controvérsia alimentada pelo desconhecimento e pelo populismo. As controvérsias são úteis em política quando se baseiam em informação, conhecimento e debate racional de ideias, não na exploração das emoções e do desconhecimento, sobretudo em assuntos tão delicados e de tão elevada complexidade.


5. Os dois momentos mais negativos do debate foram protagonizados pelo bastonário da Ordem dos Médicos e por elementos da direcção do Partido Socialista. No primeiro caso, a ameaça de processo disciplinar aos médicos que assinaram o parecer é um claro abuso de poder, uma vez que emitir um parecer não é um acto médico. É, também, uma ameaça à liberdade de informação, de conhecimento e de pensamento, bem como uma tentativa intolerável de negar a possibilidade de discussão pública democrática sobre estes temas. Exige-se do bastonário de uma Ordem com tão grandes responsabilidades sociais um contributo para a discussão, não uma ameaça aos que não pensam como ele. No segundo caso, o pedido de demissão do presidente da CNECV, Dr. Miguel Oliveira e Silva, eleito democraticamente pelos seus pares, é tão lamentável e de um tal absurdo que parece justificado apenas pela (des)orientação tacticista e populista.

 

Maria de Lurdes Rodrigues

 

Por onde

 

The Bad Little Christmas Tree

Tim Noble

Sue Webster

 

Por onde ando por onde penso que me retiro e me recolho

por onde o tempo que me assenta como chuva

neste inverno que não passa nem desmente a casa que esfria

por onde ando nos passeios destemidos que já secaram

por onde o tempo das verdades que nem olhos rasos

por quanto se somam os dedos que trituram esperanças

por quanto ainda por quanto sabemos que não mais será

que não mais serei eu e tu e nós e todos inocentes

de luz e desta sombra que se estende sem coerentemente

aniquilar quanto e onde ainda somos.

 

O crescimento larvar da violência

 

 

Estive muito indecisa quanto a fazer ou não greve. Há inúmeros e grandes motivos para aderir à greve, talvez, que me lembre, nunca tenha havido mais nem tão bons como agora. Nem que seja para se afirmar um protesto.

 

Mas a apropriação deste tipo de manifestações pelos costumeiros profissionais das greves, a banalização do fenómeno, que deveria ser excepcional, e a sensação de dar motivos para que os extremistas e a violência façam caminho e escalem, refreou-me o ímpeto. Não aderi à greve, portanto.

 

Em frente à televisão - na SIC-N - observo alguns manifestantes em frente ao Parlamento, a casa da Democracia, de cara tapada e máscaras, atirarem pedras e petardos aos Polícias.

 

Não tenho palavras para exprimir o quanto repudio este tipo de comportamentos. Não vejo os outros manifestantes fazerem qualquer gesto para impedirem ou se demarcarem dos arruaceiros. Parece que acham que estes ataques são compreensíveis, pelo muito que o povo sofre.

 

Há alguns representantes políticos, particularmente dos partidos a que se convencionou chamar de protesto, que quase têm pena que ainda não tenhamos chegado à beira da paralisação social em que a Grécia se encontra. Ouço muitas vezes lamentos por não sermos tão aguerridos (eufemismo de violentos) como os nossos vizinhos de Espanha. Pois eu não tenho qualquer desejo de semelhanças desse tipo e espero bem que as manifestações e as greves possam decorrer com civismo, porque a liberdade tem que ser de todos e a democracia implica regras de convivência em que nada disto é admissível.

 

Nota: Convém esclarecer que não confundo a maioria dos pacíficos grevistas e manifestantes com os arruaceiros criminosos que a única coisa que pretendem é provocar o caos. Mas gostaria de ver quem exerce o seu direito demarcar-se, nem que fosse pelo facto de desmobilizar de imediato ajudando os Polícias, deixando os criminosos sozinhos.

 

O isolamento do PS

 

O Bloco que saiu da Convenção deste fim-de-semana é igual ao que entrou na Convenção. Populista, demagógico e incapaz de perceber que não é apostando na desorganização social, na revolta do povo e na desestruturação da sociedade, que conseguirá aumentar a sua votação e chegar ao poder, para implementar ninguém percebe muito bem que tipo de governo, regime ou soluções.

 

O Bloco de Esquerda, que teve 5,17% nas últimas eleições, sente-se no direito de condicionar a posição do PS, que teve 28,05% também em 2011, em relação ao cumprimento dos compromissos que este assumiu junto do FMI, da CE e do BCE, nada mais nada menos que rasgar o memorando de entendimento, para se dispor a um compromisso que possa servir de base a um futuro governo de esquerda.

 

O BE (e o PCP) sabe, ou deveria saber, que isso é uma irresponsabilidade, que não tem viabilidade nem representatividade eleitoral para impor tal solução ao maior partido da oposição. Até porque uma plataforma mínima não pode começar por obrigar o PS a renegar o que é, e ainda bem, a sua história de garante de um país civilizado e capaz de honrar os seus compromisso internacionais.

 

A Convenção do Bloco demonstrou, mais uma vez, que em Portugal não é possível ao PS fazer coligações de governo à esquerda. O Bloco de Esquerda continua a condenar o PS e o país aos governos minoritários ou a governos de direita.

 

Dos alvos políticos

 

A Chanceler Angela Merkel vem a Portugal. Não se sabe bem o que vem cá fazer mas, independentemente disso, é a responsável política de um país democrático da União Europeia, lugar para o qual foi eleita democraticamente, pelo que penso que, como país democrático que pertence à União Europeia, temos todo o gosto em recebê-la.

 

Precisamente por pertencermos à mesma União e por sermos países democráticos, temos também o direito e o dever de lhe dizer, das mais variadas formas democráticas, em liberdade e segurança, que não concordamos com o rumo da política europeia, de que ela é a principal responsável, que este tipo de austeridade leva ao empobrecimento sem remédio das populações, que estamos a caminhar para o eclodir de revoltas e de regimes totalitários, que estamos a renovar os nacionalismos cegos e a xenofobia, terreno fértil para destruir tudo o que foi construído desde a 2ª metade do séc. XX.

 

Não podemos, no entanto, enganar-nos a nós proprios, canalizando as frustrações e as reivindicações para um alvo externo. O combate político deve ser, em primeiro lugar, dentro de portas e contra a política deste governo que, soberanamente, tem conduzido uma política desastrada e ruinosa, sem qualquer visão de futuro ou capacidade de gestão de recursos e expectativas.

 

Até ao Verão

 

Ana Moura

Márcia Santos 

 

Deixei

na Primavera o cheiro a cravo

rosa e quimera que me encravam

na memória que inventei

e andei

como quem espera pelo fracasso

contra mazela em corpo de aço

nas ruelas do desdém

 

e a mim que importa

se é bem ou mal

se me falha a cor da chama a vida toda

é-me igual

vi sem volta

queira eu ou não

que me calhe a vida

insane e vossa em boda

até ao verão

 

deixei

na primavera o som do encanto

riça promessa e sono santo

já não sei o que é dormir bem

e andei

pelas favelas do que eu faço

ora tropeço em erros crassos

ora esqueço onde errei

e a mim que importa

se é bem ou mal

se me falha a cor da chama a vida toda

é-me igual

vi sem volta

queira eu ou não

que me calhe a vida

insane e vossa em boda

até ao verão

 

e a mim que importa

se é bem ou mal

se me falha a cor da chama a vida toda

é-me igual

vi sem volta

queira eu ou não

que me calhe a vida

insane e vossa em boda

até ao verão

 

deixei

na primavera o som do encanto

 

Lei de Lavoisier

 

 

Cá em casa, como na natureza, observa-se a lei de conservação da massa pela metade - muito se cria mas nada se perde, tudo se transforma. Até porque assim podemos penitenciar-nos das horrorosas dívidas do povo (nós), castigar-nos de tantos espectáculos a que temos assistido, tanta música, tanta poesia, em vez da pura modéstia e mediania doméstica que deve levar à redenção do país.

 

Sendo assim o jantar de hoje foi frugal e constituído por sopa de legumes, queijo fresco, marmelada e pudim de pão (também havia uns camarõezitos cozidos, mas eram pequenitos).

 

O pudim de pão foi uma ideia sugerida por uma representante da geração anterior, habituada a gerir crises perpétuas. Pega-se no pão duro, pode até estar com consistência pétrea, e parte-se (corta-se) aos bocadinhos, enchendo uma tigela que possa ir ao forno. Aquece-se leite com açúcar (usei meio litro de leite e oito colheres de sopa de açúcar) e despeja-se para cima dos bocadinhos de pão (espreme-se bem o pão, de forma a que fique bem ensopado). Mistura-se o outro meio litro de leite com quatro ovos inteiros (pode-se juntar mais açúcar, consoante a gulodice dos comensais) e junta-se às sopas de pão. Cortam-se duas maçãs em fatias fininhas e mistura-se tudo muito bem. Polvilha-se de canela e leva-se ao forno médio por vinte e cinco minutos a meia hora.

 

Fica muito bom.

 

Pág. 1/2