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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

A Escola Pública pode fazer a Diferença (I)

 

Na próxima quinta-feira, dia 1 de Julho, às 14h30, na Livraria ALMEDINA do Atrium Saldanha, Mário Soares apresentará o livro A Escola Pública pode fazer a Diferença, de Maria de Lurdes Rodrigues, a mulher que fez a diferença.

 

(...) É um livro que diz, algures na introdução de 50 páginas, isto: A acção é política tanto no patamar da decisão como no da execução. A crítica, o veto ou a resistência às políticas é também intervenção política. E isto: A ineficiência dos serviços públicos, a ausência de rigor na utilização dos recursos e a degradação da sua qualidade são um inimigo mortal do Estado Social e, no caso da educação, um inimigo mortal da escola pública. (...)

(Fernanda Câncio)

 

Não poderei estar presente para lhe demonstrar, pessoalmente, o meu apreço.

 

Um dia como os outros (63)

 

(...) Quando a ministra da Saúde pede aos médicos para avaliarem a situação económica dos doentes ao receitarem medicamentos link mais não faz do que assumir a sua incapacidade para defender o interesse público presa que está no medo e na incapacidade de decidir seja o que for. É vergonhoso para o PS, partido fundador do SNS, ver-se ultrapassado pela esquerda, pelo CDS na questão da prescrição por DCI perante os patéticos e insustentáveis argumentos ministeriais. (...)

 

Destruição do SNS - por dentro

 

A responsabilidade do desmantelamento iminente do SNS não é só dos últimos governos, nomeadamente dos dois últimos, pela saída de Correia de Campos que tentou reformar e tornar sustentável o sistema.

 

A responsabilidade é também de quem lá trabalha e de quem o usa, ou seja, de todos nós, cidadãos que são sempre exemplares quando se olham ao espelho, e vêm tantos defeitos em quem está ao seu lado.

 

As gerações mais novas foram criadas (educadas?) segundo o dogma da sua própria importância, originalidade, reforço do ego e competitividade. Tudo isto é indispensável e muito importante se contrabalançado com a responsabilização, autonomia e sentimento de existência em comunidade. Ou seja, a existência dos outros, como parceiros exactamente com os mesmos direitos, deveres, sonhos e ansiedades.

 

Particularmente na área dos profissionais de saúde, em que durante muitos anos (e continua) foi alimentado o mito do génio para entrar nos cursos de Medicina. Com a melhor das intenções as famílias investiram na preparação dos futuros médicos como se fossem atletas de alta competição. Consequentemente a entrada na tão almejada vaga constituía (e constitui) um carimbo de excelência. Infelizmente, pela distorção das fórmulas com que se calcula a entrada nos cursos (as notas do ensino secundário são necessariamente diferentes de escola para escola e não medem, de forma alguma, a competência para exercer a profissão), esse carimbo não corresponde à realidade.

 

As novas gerações de médicos são iguais às antigas gerações: há os bons e os maus, os interessados e os desinteressados, os ambiciosos e os humildes. No entanto, a sociedade e os tempos de hoje moldaram-nos e continuam a moldá-los numa visão diferente do que é o serviço público.

 

Para esta nova geração de médicos, que se auto avaliam como quadros superiores de alto nível, as suas remunerações e condições de trabalho devem ser iguais aquilo que sempre conheceram e que sempre lhes foi facultado – tudo lhes é devido, a tudo têm direito para que possam exercer a profissão  que, para eles, se limita à demonstração do saber específico de cada especialidade.

 

Ano a ano, com a escassez de médicos que existe e que, não esqueçamos, tem responsáveis políticos, o núcleo do sistema de saúde deixou de ser o doente e passou a ser o médico. Politica e economicamente foram esses os sinais enviados, tratando-se a saúde como fábricas de salsichas ou de componentes de computadores, introduziram a noção do mercado, da oferta e da procura, sem a percepção (ou com esse objectivo?) de que os bens que se transaccionam na saúde não são parecidos com o vestuário.

 

Neste momento não há qualquer cuidado, na maioria dos elementos mais novos, na continuidade de um serviço, na estruturação de uma escola de trabalho, na formação de um grupo coeso. Não há, com honrosas excepções, a noção de que o nosso trabalho é servir o doente. O trabalho é encarado quase como um favor que se faz, não uma obrigação, um factor de realização pessoal, uma dívida e uma contribuição para a sociedade.

 

Por isso, quando ouço falar do fim do SNS e as queixas dos muitos profissionais que têm tudo para serem excelentes elementos, para impulsionar a vontade e a força anímica dos mais velhos, que estão esgotados e precisam de ser motivados, precisam de ter a esperança de que o seu trabalho e esforço não foi em vão, embora considere justificadas muitas delas, pesam-me o coração e os membros num desalento enorme, porque o SNS está a ser destruído, mas também por dentro, por aqueles que dizem (e que têm obrigação de) defendê-lo a todo o custo.

 

Só vou gostar de quem gosta de mim

 
Canta Caetano Veloso
De hoje em diante eu vou modificar
O meu modo de vida
Naquele instante em que você partiu
Destruiu nosso amor
Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar, de esperar enfim
E pra começar, eu só vou gostar
De quem gosta de mim
Não quero com isso dizer que o amor
Não é bom sentimento
A vida é tão bela quando a gente ama
E tem um amor
Por isso é que vou mudar
Não quero ficar
Chorando até ao fim
E pra não chorar
Eu só vou gostar de quem gosta de mim
Não vai ser fácil, eu bem sei
Eu já procurei, não encontrei meu bem
A vida é assim, eu falo por mim
Pois eu vivo sem ninguém
De hoje em diante eu vou modificar
O meu modo de vida
Naquele instante em que você partiu
Destruiu nosso amor
Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar, de esperar enfim
E pra começar, eu só vou gostar
De quem gosta de mim

Mandriice

 

Em vez de eliminarem feriados nacionais (alguns, claro, entre os quais o 5 de Outubro, mas mantendo o da Padroeira do Reino de Portugal) e de transformarem o 25 de Abril num dia qualquer, tal como o 25 de Dezembro (na verdade o Natal e a liberdade são quando um homem quiser), sugeria às Deputadas Teresa Venda e Maria do Rosário Carneiro que substituíssem o sábado pela sexta-feira. Um dia de descanso semanal chega e sobra. Além disso já imaginaram a melhoria na produtividade? A crise não justificaria acabar de vez com as pausas laborais? Uma hora para almoço também me parece excessivo. Era até uma medida que permitiria reduzir o número de obesos - muito tempo à mesa aumenta a probabilidade de comer de mais.

 

E porque não acabar com tantos dias de férias? Uma semanita chegava e sobrava. Não sei como não se lembraram ainda de sugerir estas medidas a Bruxelas e aqueles notáveis que falam da economia dos países sem saberem nada deles. Realmente, que madraços somos todos em Portugal.

Um dia como os outros (62)

(...) Dito isto, e sem querer retomar os traços da trama alegadamente descoberta pelo senhor Carlos Santos, importa concluir que a mesma não constitui, desde logo, uma trama, que os factos relatados pelo senhor Carlos Santos nada contêm de ilícito (salvo no que se refere a eventuais actos do próprio) e que aquilo que neles conseguimos detectar diz  sobretudo respeito à aborrecida e inócua organização interna de um blogue de apoio a um partido e um programa políticos, a comunicações dos seus membros entre si e com terceiros (agentes políticos) e à coordenação geral de quem nele escreve (independentes, membros de gabinetes ministeriais e meros filiados no PS). Lamentavelmente (para o denunciante), não vislumbramos, por não existir, qualquer utilização abusiva de meios públicos (computadores; Internet), mas a mera utilização profissional (no caso dos agentes políticos) ou pessoal (no caso dos voluntários e demais filiados) dos mesmos. (...)


(...) Por certas tenho  duas coisas, que julgo partilhar com muitas e boas pessoas e que o senhor Carlos Santos faria bem em recordar (agradecido): que a minha direita despreza delatores, criaturas gelatinosas e pouco masculinas que tudo fazem e penhoram por um momento de fama ou calor humano; e que no mundo da política como eu o vejo e desejo, serão sempre bem vindos adversários políticos como o João Galamba e o Guilherme Oliveira Martins, mas não haverá, junto a mim e aos meus, espaço para entusiastas convertidos da filigrana do senhor Carlos Santos. (...)

 

(Via Da Literatura)

Sem destinatário

Jose Parla: Calligraphic Paintings

 

Pelo fundo do que somos restam árvores decepadas. Comemos vagarosamente como se o pensamento nos viesse da filosofia engolida em dias de esmero. Amamos distraidamente sacudindo vestígios da entrega daquele despudor do sentir sem regras nem tempo de suspensão real. Nada como a realidade da percepção que temos da vida sonhada ou vivida. Nossa vida pobre de carne desse calor de gozo dessa quentura de beijo de dor de tanto se gostar.

 

Pelo fundo somos restos mãos pedras livros ou cartas secretas sem destinatário.

Inexistência

Ramos quebrados raízes fundas tudo

arranquei e juntei e cavei buracos

individuais indefesos numa cerca levantada

em muro.

 

Rodeiam-me as sombras geladas das raízes sem vida

com que fui ganhando a minha própria

inexistência.

Saramago

José Saramago foi um escritor de excepção, tanto quanto conseguimos, dentro das nossas limitações, incongruências e ignorâncias, avaliar a genialidade na literatura. Não só escrevia excepcionalmente bem como escrevia sobre temas relevantes e compunha personagens inesquecíveis.

 

O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991), o livro de todas as polémicas, é dos melhores livros que lhe li. Há muitos escritores de língua portuguesa que mereceriam o prémio Nobel, mas isso não retira valor a Saramago. A inclusão dos seus textos nos livros escolares e o estudo da sua obra é natural. O facto de terem deixado de fora outros escritores não o responsabiliza e não o deslustra, tal como não deslustra quem foi esquecido. Apenas demonstra o pouco cuidado de quem participa na elaboração dos currículos escolares.

 

A obra de José Saramago internacionalizou-se e globalizou-se, fazendo muito mais pela língua portuguesa do que décadas de diplomatas encartados.

 

Como homem político, a outra faceta que conheci de Saramago, não podia estar mais em desacordo, sendo-me antipática a sua figura e o que ela representava, a sua ideologia, a sua vaidade e a sua arrogante certeza de ser detentor da verdade. Mas não é preciso admirar o homem para admirar a sua obra. E a sua foi e é admirável.

Náusea

 

Há alturas em que, mais do que o bom senso que nos aconselha a não dar atenção a vermes, está a impotência de quem se vê enxovalhado por manifestar livremente as suas opiniões. Neste momento a publicação de correspondência privada passou a ser aplaudida como um acto de limpeza moral da corrupção suspeitada de tudo e de todos. A blogosfera rejubila com a maledicência e as tentativas de assassinato de carácter de todos quantos se aproximaram ou aproximam das posições do PS ou do governo, alimentando-se da ignomínia duma criatura desprezível.

 

 

A noção que tenho de que é inútil protestar é claríssima. Mas não deixo de dizer, quando o estômago já não suporta tanta náusea, que a calúnia é a arma dos fracos e dos cobardes e que subscrevo a indignação do Eduardo, do Valupi e dos que se incomodam com os inacreditáveis enredos da delirante personagem.

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