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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Tinta

 

(Jaclyn Mednicov: stacked)

 

Inclinei-me na manhã que despertava
entornei a tinta com que suspirava pelo dia.

 

Pingos de lentidão pelas gotas de luz
que desloquei para o lado
esperam por mim esta noite
à hora dos encontros sublimes.
 

Dois em um

 

Não consigo perceber o que pretende o Bastonário da Ordem dos Médicos com esta proposta.

 

Acho muitíssimo bem que os Centros de Saúde e que os Hospitais do Estado tenham a possibilidade de ter medicamentos genéricos para dispensarem aos seus doentes. Mas a que propósito seriam os médicos a distribuí-los? Porque não estar lá um farmacêutico a fazer o seu trabalho, a exercer a sua competência?

 

Ou será que as Farmácias vão ter um cantinho para os farmacêuticos fazerem consultas aos seus clientes?

 

Ponto/Contraponto

 

Tenho andado sempre atrasada em relação ao que se vai passando, mergulhada que estou no trabalho. Mas hoje vi o tão esperado programa de Pacheco Pereira porque ele no-lo proporciona no seu blogue.

 

É um programa de opinião, da opinião dele, como frisa logo de início.

 

Começa por dedicar o programa a Vitorino Nemésio, porque no tempo de Vitorino Nemésio se dava mais importância às palavras e às conversas do que ao espectáculo, transparecendo sempre o gosto de Vitorino Nemésio por connosco conversar.

 

Não me lembro muito bem como era na altura, mas já vi algumas repetições de fragmentos do mítico Se bem me lembro e não se percebe rigorosamente nada do que Vitorino Nemésio diz.

 

Mas percebeu-se muito bem o que Pacheco Pereira disse a propósito da informação e do que significa informarmo-nos, e ainda melhor o que insinuou.

 

Começou por se lamentar e avisar os incautos da escassa liberdade que existe, a encolher todos os dias; referiu-se a um artigo laudatório sobre o novo porta-voz do PS, classificando-o de má informação; folheou os suplementos do Correio da Manhã para concluir que o suplemento do emprego mostrava um enorme desemprego e o estado do país, que o suplemento fiscal (?) era o espelho da hipoteca dos cidadãos e do estado em que estava o país, e que o suplemento dos serviços sexuais era extraordináriamente grande.

 

Depois deu um exemplo de mau jornalismo a propósito de uma peça no Público sobre as datas das eleições, porque usava a palavra tabu, e um exemplo de bom jornalismo a um artigo do Jornal de Negócios sobre o "negócio" da PT, deixando os leitores muito bem informados sobre quem mandava.

 

Terminou aconselhando um livro (mesmo não ganhando nada com isso) do João Gonçalves, esse mesmo, lendo um texto em que, para variar, o autor dizia mal de Sócrates.

 

Enfim, um programa televisivo de propaganda mal disfarçada e de pouca qualidade. Que saudades do "Vírus", na Rádio Clube Português.

 

Empobrecimento (2)

 

Que me lembre, a eleição do Provedor de Justiça foi sempre resultado de um acordo entre os partidos com representação parlamentar, nunca tendo havido, até agora, mais do que um candidato aquando das eleições.

 

Após o impasse na eleição do Provedor de Justiça que deveria substituir Nascimento Rodrigues, impasse que foi devido à inacreditável imposição do PSD em ser ele a propor um nome para a negociação, Jorge Miranda submeteu-se duas vezes à votação dos parlamentares, votação que perdeu das duas vezes.

 

Depois de o PSD tornar público que nunca aceitaria o nome de Jorge Miranda, pelo simples e transparente facto de se não ter lembrado dele antes do PS, e sabendo que  se iria mantender numa disputa eleitoral impossível de vencer, Jorge Miranda retira a sua candidatura justificando-a com a verdade, a tão propagandeada verdade que Manuela Ferreira Leite admira e persegue.

 

E por isso Jorge Miranda é enxovalhado publicamente, tendo Manuela Ferreira Leite a desvergonha de considerar esta atitude pouco democrática: Uma pessoa rebelar-se quanto ao resultado de uma votação não é próprio da democracia.

 

De facto, não vale a pena haver dedicação à causa pública e ao serviço público, porque quem se presta a eles assim é humilhado. Independentemente da idoneidade de quem será o próximo Provedor, o que não está, obviamente, em causa, todo este assunto revela um empobrecimento da nossa vida política e dos seus protagonistas, com especial relevo para a líder do PSD.

 


 

Empobrecimento (1)

 

Vale sempre a pena ouvir de fio a pavio as entrevistas dos políticos em vez de ouvir apenas o que os comentadores comentam sobre as entrevistas. Tal como aconteceu com José Sócrates, Ana Lourenço conduziu uma entrevista tranquila e sem sobressaltos a Manuela Ferreira Leite.

 

Manuela Ferreira Leite, candidata a Primeira Ministra à frente do PSD, repetiu à exaustão, em toda a entrevista alguns sound bites, como ela gosta de dizer: o endividamento do país, a sua enormíssima preocupação, o empobrecimento do país, e que iria fazer diferente de José Sócrates. Como e em que situações, ninguém ficou a saber.


Sobre os investimentos mais uma vez repetiu que os grandes investimentos (leia-se TGV, aeroporto, 3ª travessia do Tejo e …, não sei mais) não combatem a crise e que não podem ser efectuados por causa do endividamento do país. É claro que o facto de o governo já ter dito e repetido que estes investimentos não servem para combater a crise, mas que são estruturantes e essenciais para a sua modernização e preparação para o futuro, não interessa nada. É melhor repetir a faláciaa verdade de Manuela Ferreira Leite. Quanto ao facto de serem investimentos que já foram resolvidos e combinados há décadas, por vários governos, também não interessa nada. É preciso estudar mais, reavaliar outra vez, porque não têm elementos sobre estes assuntos. Não esqueçamos que não há qualquer economista credível que não concorde com ela. As barragens, como já estão em andamento, já não é possível parar, senão…

 

Claro que o combate ao défice só existiu porque existe défice por culpa do Eng.º Guterres, e se não fosse o governo de Durão Barroso ele estaria muito pior, porque como todos sabemos, Manuela Ferreira Leite só não resolveu as contas públicas porque não teve tempo. E o Eng. Sócrates, que em dois anos reduziu o défice à custa das receitas (disse Manuela Ferreira Leite), com um abalozinho de terra que é esta crise, estragou-se logo tudo.

 

Manuela Ferreira Leite quer é salvar as pequenas e médias empresas, tratando-lhes da tesouraria e, aí sim, indicou uma medida – o estado deve pagar as suas dívidas às empresas, com a qual, aliás, estou totalmente de acordo. Não aumentará os impostos e baixa-los-á logo que lhe for possível. Quais e como e quando não sabe.

 

Em relação à nacionalização do BPN acha que foi precipitada e feita em cima do joelho porque havia alternativas, embora não tenha falado de uma única. Já no que diz respeito ao BPP (cuja falência, como calculamos, causaria um muito maior impacto do que a do BPN, tanto pela altura em que ocorreria como pelas repercussões que teria, muito superiores com o BPP do que com o BPN, sem qualquer dúvida) acha que é uma questão muito preocupante por causa da confiança no sistema financeiro e cito de cor: Não entregamos os nossos filhos a qualquer pessoa nem entregamos o nosso dinheiro a qualquer banco. É claro que o governo agiu horrivelmente mal e que não tomou as devidas providências, tendo-se calado durante 8 meses. Perguntada como teria ela resolvido o problema, ficámos a saber que não se teria calado durante 8 meses…

 

O problema dos apoios sociais é um assunto de que começou a falar há cerca de 1 ano, muito antes do Eng.º Sócrates. O que faria diferente? O mínimo é fazer em vez de dizer que faz, porque não sabe de onde vem o dinheiro que é anunciado pelo Eng. Sócrates. Fará algo com transparência. O quê e como, também não especificou.

 

Terminou com a sua grande preocupação de cidadã pelo facto de haver uma empresa com accionistas, das quais um é o Estado, que se propõe fazer um negócio ruinoso, segundo Manuela Ferreira Leite, pagando por uma empresa 150 milhões de euros com o único objectivo de calar uma voz incómoda na TVI, ou seja duas, a de José Eduardo Moniz e Manuela Moura Guedes, porque quer controlar aquele órgão de informação.

 

Confusos? Defraudados? Não desanimem. Em Julho será publicitado o programa de governo, que não será um calhamaço que ninguém lê. Estarão lá as respostas ao que fazer com a educação – estatuto da carreira docente, avaliação de desempenho, aulas de substituição, inglês obrigatório no 1º ciclo, reorganização das escolas coo o fecho das que tinham menos de 10 alunos; relativamente à saúde – reorganização das urgências e dos cuidados primários de saúde, investimento nos genéricos, manutenção da universalidade do sistema, parcerias público privadas, etc., etc., etc.

 

Apenas temos a certeza de que irá rasgar o que foi feito. E que não julga as pessoas, principalmente quando se chamam Dias Loureiro.

 

Há outra certeza, mas esta é minha – não quero Manuela Ferreira Leite como Primeira Ministra.
 

 

Letras impossíveis

 

(pintura de Andrew Forkner: Goshawk)

 

Pelas ruas passam esquilos
roendo pedras e sussurros
milhafres de vozes aladas
espalham ventos invernosos.

 

Pelo fundo dos segredos
lemos letras impossíveis
adivinhos de incertezas
esperamos espadas de cinza
lentas sombras invisíveis.
 

Our love is easy

 

 

Deep within your heart, you know it's plain to see
Like Adam was to Eve, you were made for me
They say the poisoned vine breeds a finer wine
Our love is easy

 

f you ask me plainly I would glady say
I'd like to have you round just for them rainy days
I like the touch of your hand, the way you make no demands
Our love is easy

 

Our love is easy
Like water rushing over stone
Oh, our love is easy, like no love I've ever known

 

Physically speaking we were made to last
Examine all the pieces of our recent past
There's your mouth of tears
Your hands around my waist
Our love is easy

 

Every time we meet it's like the first we kiss
Never growing tired of this endlessness
It's a simple thing, we don't need a ring
Our love is easy

 

Our love is easy
Like water rushing over stone
Oh, our love is easy, like no love I've ever known

 

Our love is easy
Like water rushing over stone
Oh, our love is easy, like no love I've ever known

 

Deep within your heart, you know it's plain to see
Like Adam was to Eve, you were made for me
They say the poisoned vine breeds a finer wine

 

(Melody Gardot)

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