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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

A única solução

Não deveremos nunca resignar-nos à única solução, por poucas que vislumbremos em alternativa. A única solução transforma-se rapidamente em solução única. É o caminho inevitável para o adormecimento da mente, a repressão da criatividade, o absoluto, o autoritarismo.

 

É muito mais fácil deixarmos que aqueles que têm uma solução a transformem na salvação suprema, é muito mais fácil acolhermos os seus gestos sábios, as suas vozes certas e seguras, o mal disfarçado desdém pela opinião.

 

Todos os dias enfrentamos a realidade da escolha, da decisão, do caos que tentamos organizar dentro de nós e das nossas vidas. Todos os dias se enfrentam aprendizes de magos na venda de milagres.

 

Não deveremos nunca abdicar dos nossos sentimentos, dos nossos raciocínios, das nossas críticas, da nossa liberdade.

Impalpável

(pintura de Kelley MacDonald: Pirate's Cove Plain Air)

 

E se as palavras me faltarem
presas nos bicos das gaivotas
nas asas da penumbra
no enleio das madrugadas

 

olha os caminhos sulcados da pele
o manso respirar dos dedos
as formas que se dobram no côncavo
do impalpável silêncio.

Veludo

(pintura de Lorenzo Dupuis)

 

Arredondei momentos de crise
em pequenos dardos envenenados.
Hoje abraço a pele dos leopardos
firo-me em garras de veludo
e morro lentamente.

Mozilla Firefox

Depois de uma manhã inteira sem poder aceder ao meu blogue, assim como a muitos outros, porque deu um fanico ao internet explorer 7 que eu não consegui arranjar, a conselho do meu Consultor para computadores, mudei para Mozilla Firefox. Fantástico!

 

Quem poderá negar os progressos deste século?

 

 

Adenda: A explicação do mistério deu-ma o Filipe Tourais, mas é melhor lerem.

Cooperação estratégica

 

A comunicação do Presidente da República deixou espantada a maioria das pessoas que passaram todo o dia a especular qual seria o assunto de tal maneira sério e grave que levasse a uma comunicação solene, à hora de abertura dos telejornais, sem divulgação prévia do assunto a abordar.

 

Pelo que percebi o Presidente quer que a Assembleia da República altere alguns artigos do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, aprovado por unanimidade pela Assembleia Regional dos Açores e pela Assembleia da República, que não foram considerados inconstitucionais pelo Tribunal Constitucional:

  1. A norma relativa à dissolução da Assembleia Legislativa dos Açores
  2. A nomeação do Representante da República nas Regiões Autónomas
  3. O procedimento de audição qualificada
  4. A limitação dos poderes de revisão do Estatuto pela Assembleia da República às normas que tenham sido objecto da iniciativa da Assembleia Legislativa Açoriana

Pareceram-me totalmente justificadas as reservas do Presidente. Não é lógico que a dissolução da Assembleia Regional dos Açores precise de mais formalidades para se concretizar, mesmo que sejam apenas formalidades, do que a dissolução da Assembleia da República.

 

Também acho extraordinário que uma lei aprovada pela unanimidade nos parlamentos regional e nacional esteja ferida de oito inconstitucionalidades definidas unanimemente (passe o pleonasmo) pelo Tribunal Constitucional.

 

O que não consigo descortinar é o motivo de tanto segredo, tanta pompa e circunstância e tanta gravidade. Porque não uma mensagem à Assembleia da República? Porque não uma conversa com os representantes dos partidos, fazendo chegar até à comunicação social a decisão de vetar politicamente a lei, caso não fossem feito as alterações? Porquê esta encenação e este dramatismo? Qual seria o propósito do Presidente, tão cuidadoso e escasso nas declarações, tão parco e rígido com as suas opiniões?

 

As reacções dos partidos foram interessantes: Manuela Ferreira Leite quebrou o seu silêncio estratégico tendo sido a primeira a acatar as ordens presidenciais, apesar de o PSD, já sob a sua liderança, a ter aprovado. O PCP, o BE e o CDS também afirmaram a intenção de tudo fazer para alterarem a lei, de acordo com as preocupações de Cavaco Silva. O PS ficou isolado na defesa da lei que tinha sido aprovada pela totalidade dos deputados.

 

Será que foi esse o objectivo do Presidente? Criar condições para que o PS se visse obrigado a reagir e a abrir um conflito institucional? Pelas correcções às primeiras reacções do PS, José Sócrates não se arriscará a fazê-lo.

 

Mas uma coisa é certa, a suspeita de que Cavaco Silva está a entrar na disputa política, sendo olhado como uma esperança da direita liderada pelo PSD, está patente. Por outro lado Cavaco Silva escamoteou o capital de credibilidade que mantinha, correndo o risco de nunca mais ninguém levar a sério o anúncio de comunicações presidenciais.

 

Afinal o Presidente está a alimentar tensões institucionais, em vez de as prevenir e evitar. Alguém falou em cooperação estratégica?

 

Adenda: apesar de defender o contrário do que aqui digo, vale a pena ler este texto de Paulo Pedroso, no Canhoto.

Alarme falso (2)

É bom que fique bem claro que o que disse no post anterior não significa que eu pense que os médicos são uns malandros, que não trabalham e que são uns oportunistas. Penso exactamente o contrário e, felizmente, a enormíssima maioria é responsável, competente, muitas vezes heróica.

 

Se a actividade médica no SNS é muito mal remunerada, e é, obviamente que quem pode procura colmatar esse facto com a complementação dessa actividade no sector privado ou em serviços públicos alternativos. Não é isso que está errado. O que está errado é que o Estado e o SNS o permitam. É não haver rentabilização dos recursos humanos e técnicos pela sub ocupação dos serviços e pela sub utilzação dos profissionais. É permitir que quem trabalha mais e melhor tenha a mesma péssima remuneração e a mesma progressão de quem trabalha pouco e mal.

 

Além disso não podemos comparar as exigências e as necessidades de um SNS hoje com as de há 30 anos. Há que reformar e readaptar o SNS de forma a servir os todos cidadãos. O serviço de Cirurgia Cardiotorácica dos HUC, dirigido pelo Prof. Dr. Manuel Antunes, é um exemplo que deveria ser seguido.

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