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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Um Caso de Espíritos

Um excelente policial, bem ao jeito brasileiro, com uma escrita escorreita e descomprometida, mas elegante, com mortos, sessões de espiritismo, patroas gostosas, garotas de programa, máfias chinesa e das outras, alguns murros, cigarros, whisky e blues, muitos e bons, para todas as horas e ocasiões, paixões, Donas e sexo.

 

Bellini é o detective melancólico e amante de blues, Dora a sua patroa, que se vêem envolvidos num misterioso caso de morte de um espírita saudável, que corre a maratona e só bebe água.

 

Tony Bellotto já tem outra fã. Que venham mais livros para esta prometedora colecção – Ganga Impura (dirigida por Francisco José Viegas).

 

Oposição ausente

É extraordinário como se podem escrever artigos sobre artigos falando da manipulação da informação pelo governo, nomeadamente no que diz respeito à onda de criminalidade que toda a comunicação social glosou, durante dias seguidos, com as primeiras páginas dos jornais e as aberturas de todos os telejornais a empolarem e a zurzirem na crescente insegurança do país, quando a própria pessoa que se indigna faz parte da oposição que se tem demitido de fazer o seu papel, não de uma forma demagógica e populista, com pedidos de demissão do MAI, mas pela mais completa e inusitada falta de comparência.

 

Há governo a mais pela exasperante e inacreditável ausência de oposição.

Mente sagaz e perturbada

Sonhei vagamente com uma extraordinária história policial que se iniciava num difícil e raríssimo diagnóstico, com o conhecimento faseado do doente e a descoberta de casos obscuros e mistérios de alma, sempre acompanhados e precedidos de fragmentos de tecidos com lesões desafiadoras de uma mente sagaz e perturbada.

 

Acordei sem resolver o caso criminal, mas o diagnóstico surgiu claro e límpido como a madrugada que se escapava por entre a persiana. Pena é que não existisse.

Torre do silêncio

(gravura de Cornelius Brown, 1886: Tower of Silence)

 


Olho a torre do silêncio

e é como se já lá estivesse
oferecendo o corpo aos festins do céu
aos alimentos dos pássaros às carícias do vento.

 

Lentamente no círculo que me é destinado
perceber já sem consciência

do que somos feitos
e para que tanto queremos viver
se só no silêncio da torre servimos a vida.

Mi niña Lola

 

(Buika: Mi niña Lola)

 

Dime porque tienes carita de pena
Que tiene mi niña siendo santa y buena
Cuéntale a tu padre lo que a ti te pasa
Dime lo que tienes reina de mi casa

 

Tu madre la pobre no se donde esta
Dime lo que tienes, dime lo que tienes
Dime lo que tienes, dime la verdad

 

Mi niña lola, mi niña lola
Ya no tiene la carita del color de la amapola
Mi niña lola, mi niña lola
Ya no tiene la carita del color de la amapola

 

Tu no me ocultes tu pena
Pena de tu corazón
Cuéntame tu amargura
Pa consolártela yo

 

Mi niña lola, mi niña lola
Se le ha puesto la carita del color de la amapola
Mi niña lola, mi niña lola
Se le ha puesto la carita del color de la amapola

 

Siempre que te miro mi niña bonita
Le rezo a la virgen que esta en la ermita
Cuéntale a tu padre lo que te ha pasao
Dime si algún hombre a ti te ha engañao


Niña de mi alma no me llores mas
Dime lo que tienes, dime lo que tienes
Dime lo que tienes, dime la verdad

 

Mi niña lola, mi niña lola
Mientras que viva tu padre no estas en el mundo sola
Mi niña lola, mi niña lola
Mientras que viva tu padre no estas en el mundo sola
Mi niña lola, mi niña lola
Mientras que viva tu padre no estas en el mundo sola
Mi niña lola, mi niña lola
Mientras que viva tu padre no estas en el mundo sola

Agenda comunicacional

A criminalidade violenta, ou seja, a visibilidade da criminalidade violenta, é cíclica e sazonal, costuma acontecer nas férias de verão, e alterna com a intensidade dos incêndios e da área ardida.

 

Com falta de notícias sumarentas, sem bombeiros para falarem da inépcia dos governantes, nada melhor do que massacrar os cidadãos com os assaltos à mão armada, a ineficácia das polícias, a violência dos criminosos.

 

Claro que o PSD, também à falta de melhor ideias, pede logo a demissão do MAI. Sim, isto não se admite, se o ministro fosse Aguiar Branco, os ladrões e os assassinos já teriam mudado de país, ou ter-se-iam convertido à prática da caridade.

 

Melhor ainda esteve Cavaco Silva, que em vez de sossegar as pessoas que estão com a sensação de que serão mortas mal se acerquem de uma caixa multibanco ou encham o carro de gasolina, resolveu dizer que a onda de assaltos era uma coisa muito séria. O que não disse e devia dizer era que as medidas tomadas eram adequadas, que o aumento da criminalidade é sempre preocupante mas não é nada de espantoso, observando-se o que se passa no resto da Europa, e que os cidadãos podem confiar nas suas forças de segurança.

 

Claro que o responsável do Gabinete de Segurança, Leonel de Carvalho, apesar de afirmar que o crime aumentou cerca de 10%, nada catastrófico nem razão para tamanho alarido, sente que não tenho a categoria para que possa ser posto em causa por palavras do senhor presidente da República. Valha-nos Santo Ambrósio!

 

Mas a cereja em cima do bolo é José Magalhães mostrar disponibilidade para alterar o código do processo penal que, se não estou em erro, foi revisto em 2007!

 

E quem é que manobra a agenda política? É que parece que somos todos manobrados pela comunicação social.

 

 

Adenda:

 

(...) Em comunicado após a reunião, o Gabinete, que na quinta-feira tinha referido à agência Lusa que a criminalidade violenta tinha registado um aumento «ligeiramente acima dos 10%», refere ter analisado a evolução deste fenómeno, concluindo que registou um aumento de 15%.

De acordo com aquele organismo, apesar deste aumento, os números são inferiores a 2004 e 2006.

Por outro lado, a criminalidade participada cresceu 7% em relação a 2007, sendo o número global de crimes participados essencialmente idêntico ao dos anos de 2003 e 2004. (...)"

 

(bold e sublinhados meus)

(Des)emprego

Até acredito que haja muita desinformação à volta do número de postos de trabalho criados nesta legislatura.

 

Mas o que dizer da ridícula apresentação dos empregos criados pelo Call Center, tão especializados que até se pede o 12º ano, e dos números subtraídos  às estatísticas do desemprego por estarem em programas de formação?

 

A propaganda governamental está a precisar de se reciclar e de ser despedida por inadaptação ao trabalho.

Olimpíadas à portuguesa

Depois da histeria dos comentadores que arrasaram os nossos atletas olímpicos, nomeadamente Marco Fortes, Vanessa Fernandes e Nelson Évora elevaram aos píncaros o orgulho nacional.

 

De perdedores e esbanjadores dos dinheiros públicos, passámos à melhor prestação olímpica de sempre.

 

Os atletas que nos perdoem. E parabéns atrasados a Nelson Évora.

 

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