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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Eleições no PSD

Parece que ganhou Manuela Ferreira Gomes (37,6%). Penso que o debate político pode melhorar um pouco, mas aceitam-se apostas quanto à data das próximas eleições no PSD.

 

Luís Filipe Menezes foi de uma deselegância profunda, para não dizer de uma canalhice sem igual. Santana Lopes (29,82%) está no seu melhor, dizendo muitas frases que não significam nada, a não ser que vai continuar por aí.

 

Pedro Passos Coelho (31,07%) posicionou-se para mais daqui a pouco. Para depois das próximas eleições legislativas.

 

Ninguém percebeu muito bem o que esteve lá a fazer Patinha Antão (0,7%). Acho que nem ele mesmo sabia.

 

 

Esperam-se as doutas palavras de Alberto João Jardim. Será para agora a independência da Madeira?

Tears dry on their own

 

Ontem o início do Rock in Rio estava marcado pela actuação de Amy Winehouse. Não porque tem uma voz portentosa e tem ganho uma data de prémios ultimamente. Apenas pelo gozo e pela antecipação dos disparates que ela faria.

 

Viria, não viria? Estaria bêbeda, drogada? Diria obscenidades? O espectáculo que se pagara era para assistir aos desmandos de uma triste estrela amassada.

 

Pois não foram goradas as espectativas. Ouvi na televisão, em reportagem e em várias revisões da matéria, a figura anoréctica, desconchavada e periclitante, desculpando-se, chorando e tropeçando, sem voz nem fio de esperança.

 

Faz-me mal ver a degradação a que as pessoas chegam. O talento não chega. Falta a dignidade e uma cabeça minimamente preparada para o horror da glória.

 

Aqui fica uma excelente amostra do que Amy Winehouse pode ser: Tears dry on their own.

 

 

All I can ever be to you,
Is a darkness that we knew,
And this regret I've got accustomed to,
Once it was so right,
When we were at our high,
Waiting for you in the hotel at night,
I knew I hadn't met my match,
But every moment we could snatch,
I don't know why I got so attached,
It's my responsibility,
And you don't owe nothing to me,
But to walk away I have no capacity

 

He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown,
And in your way, in this blue shade
My tears dry on their own,

 

I don't understand,
Why do I stress A man,
When there's so many bigger things at hand,
We could a never had it all,
We had to hit a wall,
So this is inevitable withdrawal,
Even if I stop wanting you,
A Perspective pushes true,
I'll be some next man's other woman soon,

I shouldn't play myself again,
I should just be my own best friend,
Not fuck myself in the head with stupid men,

 

He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown,
And in your way, in this blue shade
My tears dry on their own,

 

So we are history,
YOUR shadow covers me
The sky above,
A blaze only that lovers see

 

He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown,
And in your way, in this blue shade
My tears dry on their own,


I wish I could say no regrets,
And no emotional debts,
Cause that kiss goodbye the sun sets,
So we are history,
The shadow covers me,
The sky above a blaze that only lovers see,

 

He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown,
And in your way, in this blue shade
My tears dry on their own,
 

He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown,
And in your way, in this blue shade
My tears dry on their own,

 

He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown,
And in you way,
My deep shade,
My tears dry

Manipulações

Todos falam de crispação social e de instabilidade, de aumento da crise e do fosso entre ricos e pobres, assistindo-se, nos últimos dias, a declarações do Presidente da República, de Mário Soares, de Paulo Portas, de Santana Lopes e Manuela Ferreira Leite e de Manuel Alegre (que decidiu que era no PCP e no BE que haveria força para responder a esses desafios) que, pelo que se propagandeia na comunicação social, estão a piorar.

 

Mas ao contrário do que se está a fazer passar aos cidadãos a situação não está a piorar mas sim a melhorar, pouco, pouco, mas a melhorar. E isto não significa que o problema não seja enorme e que se não devam procurar outras e melhores formas de distribuir a riqueza, de apoiar os sectores em maior risco, de investir, como está agora no programa de todos os partidos políticos, mas pelos vistos só agora, em políticas sociais.

 

Trata-se apenas de desmontar o alarmismo e a crispação que se estão a criar. Apesar de haver relatórios e estatísticas que os desmintam, nada faz desistir quem apostou em defender o catastrofismo instalado.

 

A luta política está já noutros campos. Neste momento os grandes actores das agendas políticas são os jornalistas. Não é de agora, nem é nenhuma surpresa, mas é cada vez mais avassalador e assustador.

 

Gostaria de saber exactamente quais as soluções que Manuel Alegre preconiza para melhorar as políticas sociais e para reduzir as desigualdades. O quê, de que forma, que políticas, mas isso no concreto e explicando como e quais as consequências. Talvez se o partido apoiasse os ministros verdadeiramente reformadores, como os da Educação e da Saúde (que saiu), por exemplo, talvez houvesse lugar a reformar aquilo que de essencial há nas funções assistenciais do Estado. Ou será que se está a preparar a hipótese de ausência de maioria absoluta (do PS) nas próximas eleições alisando o terreno para uma coligação à esquerda?

 

Ideias e idealismo não existem. Existe a lógica da repartição de lugares por quem tem estado afastado do poder. E essa lógica está a condicionar os partidos à direita mas principalmente dentro do próprio PS, mesmo daqueles que, ao longo do tempo, têm lutado pela abertura da intervenção política à sociedade civil.

Névoa

(pintura de Richard Sperry: fog and light)

 

Lá fora esperam-me chuvas
restos de cinza requentada
mesmo assim anseio pelo respirar
da névoa.
 
Desenho nos vidros estradas desiguais
soma de gestos por tecer
mesmo assim insisto em ver
para lá da névoa.
 
Empresto ao corpo súbita leveza
ensaios de ave cega
mesmo assim acredito na beleza.
 
Somos névoa.

Inutilidades triviais

Não me tem apetecido participar nesta voracidade alarmista dos combustíveis, dos bens alimentares, das desigualdades, da pobreza, da catástrofe que aí vem, dos avisos do pai Soares, da rebeldia do pai Alegre, de tanta retórica e de tanto falatório manipulado e manipulador, mas sobretudo inútil e trivial.

 

Todas estas realidades que existem, infelizmente, desde há anos e anos, com governos de direita e de esquerda, estão repentinamente na boca de todos os candidatos, de todos os governantes, mas principalmente dos ex-governantes, que no entretanto conviveram pacificamente com este fenómeno, abanando a cabeça com seriedade e muita preocupação.

 

Vamo-nos embrulhando com as quezílias requentadas do PSD, com os comentários delirantes dos comentadores, com as promessas tonitruantes do nosso Primeiro.

 

O que vale é que ainda vai havendo arroz, mesmo com o preço a subir, para regressar ao preço a que já esteve, há anos, embora ninguém aparentemente se espante com a carestia dos cereais nessa época. E de vez em quando umas investida da ASAE, para que o nosso defensor mor Paulo Portas clame por justiça aos produtos artesanais, nossos, só nossos e nunca melhores do que sem regras. Esses é que são os genuínos, os que ele consome, obviamente.

 

Adenda: vale a pena ler o post de Fernanda Câncio: pobre portugal.

Marcas

Passamos pelas pessoas ao de leve quase sempre sem reparar que também por nós passam, que também a nós nos tocam. E quando a vida nos agita percebemos o relevo da tinta com que nos marcamos, com que reconhecemos quem nos marca. Surpreendidos, intimidados, não sabemos muito bem porque estranhos motivos há alguém que nos transforma, só por existir, mesmo que não repare que existimos.

 

E subitamente sentimo-nos tão perto, mesmo estando longe, mesmo que nem sequer saibamos a distância que nos separa. E inevitavelmente sentimo-nos presentes, mesmo na ausência do que não entendemos.
 

 

(Christine Harfleet - escultura de vidro: no killing fileds)

Em desacordo

É verdade que ainda não li o texto do acordo ortográfico, que me tem faltado tempo, mas sobretudo paciência para ouvir os debates e para ler os artigos sobre o acordo ortográfico.

 

É ainda verdade que não sou versada em temas tão importantes como a defesa da língua portuguesa, a expansão da língua portuguesa, a pureza da língua portuguesa.

 

Apenas tenho a noção de que a língua portuguesa é a mesma e é diferente consoante os países em que é falada, com as entoações, os maneirismos, os vocábulos locais e regionais, os vocábulos resultantes da mistura e da combinação das línguas nativas com a portuguesa.

 

E acho que uma das suas riquezas é precisamente essa variedade. E por isso continuo sem perceber qual a razão e qual a necessidade do dito acordo ortográfico.

 

As línguas vão-se modificando à medida que vão sendo assimiladas e que vão assimilando outras influências, naturalmente. Não são precisos acordos nem decretos-lei para o assegurar.

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