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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Alteração da hora

 

Talvez a razão primeira tenha sido a alteração da hora. Quando me levantei, lentamente porque devemos honrar as manhãs de Domingo, já eram quase horas de almoçar.

Ou seja, o meu dia precipitou-se em direcção à recuperação das funcionalidades horárias, mas sem tempo de o fazer. Tudo transladado para mais tarde, o café da manhã sem jornais, o almoço tardio sem café, a peregrinação semanal ao supermercado à velocidade da luz, arranquei com o TomTom totalmente preparado para a Rua do Açúcar, no Poço do Bispo, para assistir à penúltima representação de Lisboa Invisível, no Teatro Meridional.

Mas não contei com os maus augúrios astrais, com as ventanias em sentido contrário, e muito menos com as obras na zona ribeirinha de Lisboa, por alturas do Rossio, que levou a grandes enchentes de carros parados preguiçosamente em filas descomunais, com o TomTom desesperadamente a dizer-me para virar aqui e acolá, com as ruas fechadas e os Polícias a desviarem para círculos viciosos e concentrados de autocarros.

É claro que já não fui a tempo. Desliguei o TomTom e regressei a casa, onde cheguei mais de uma hora depois de ter partido.


Pelo caminho, enquanto irritadamente esperava nas filas, fui olhando e reparando que todos os cafés daquela zona da Baixa estão fechados, num Domingo, e que as ruas estão desertas de pessoas a pé, pois os turistas estão dentro dos autocarros panorâmicos.

O tão falado comércio tradicional não se adapta aos novos tempos e por isso morre. E morre também o centro de Lisboa.

 

Enfim, não se pode dizer que tenha sido uma bela tarde dominical.

A pedido

A cesariana é um acto médico que tem indicações precisas e, como qualquer acto médico, tem contra-indicações e riscos, para a mulher e para a criança.

Transformá-la numa alternativa a pedido é contrário à boa prática e à ética médica. Tanto no SNS como em qualquer Clínica ou Hospital privado.

Educação precisa-se

O manancial de demagogia resultante do caso Carolina-Michaelis é avassalador.

Após décadas de governação social-democrata e socialista, em que o problema da indisciplina, de desautorização dos professores e da escola, de falta de avaliação de todo o tipo de componentes, desde a adequação dos curricula à competência profissional dos docentes, à desresponsabilização dos encarregados de educação e dos alunos, despertaram subitamente as consciências.

Repentinamente ressuscitam os defensores da disciplina férrea, chegando-se ao cúmulo de transformar estes casos de indisciplina e má educação em casos de polícia, retirando mais uma vez protagonismo, responsabilidade e autoridade à escola, com intervenções do Procurador Geral da República e, pasme-se, do Presidente da República, e provavelmente pressões várias que levaram a que a Professora, que nem sequer tinha apresentado queixa ao Conselho Directivo, a apresentar queixa ao Ministério Público.

Outros procuram argumentos que desculpabilizem os alunos, falando da democratização do ensino, do problema social das famílias, das dificuldades em educar nas nossas sociedades modernizadas e globalizadas, descobrindo que a Professora teria autorizado o uso de telemóveis, como se isso, por muito errado que seja, justifique a atitude dos alunos.

Mudar os alunos de escola e ter repórteres à espera que eles recomecem na nova escola, espreitar o momento em que a Professora regresse às aulas, fazendo da propaganda, da mediatização, da humilhação pública, um espectáculo degradante, não me parece que ajude a resolver o problema.

O aproveitamento político do assunto, com a troca de acusações entre o PSD e o PS sobre o Estatuto do Aluno, a alegada campanha de descredibilização dos Professores, a ligação ao Estatuto da Carreira Docente, às manifestações e à avaliação do desempenho dos Professores é absolutamente ridícula.

Todos somos cúmplices desta situação, por acção ou por omissão. Talvez repensar a forma como lidamos com os nossos filhos, como os superprotegemos e compramos, como os desresponsabilizamos e nos desresponsabilizamos da sua formação e educação seja o passo mais urgente e importante. Será que o percebemos?

A alternativa

 

Há uns dias vi na televisão uma reportagem sobre a consequência da cruzada moral das Mães de Bragança contra a prostituição.

 

Pelas entrevistas aos negociantes, Bragança ficou mais pura e mais pobre. Uma Cabeleireira queixou-se da redução da clientela e o negócio dos telemóveis perdeu 25%.

 

Será que a prestação dos maridos, sem as mezinhas e os feitiços das mulheres da vida, aumentou proporcionalmente?

 

E a casa de alterne cristã dará lucro? Será que os Pais de Bragança preferem as conversas teológicas e o aconchego do terço aos prazeres carnais?

Suspeições (continuação)

Agora que já passou mais de um mês, gostaria muito de saber como vão as investigações de CAA relativamente à identidade de Miguel Abrantes:

  • É uma pessoa só com múltiplas personalidades
  • São muitas pessoas com uma personalidade

Adensa-se o mistério.

 

Sugiro ao CAA uma entrevista com a Mma Ramotswe e umas litradas de chá de Rooibos. Pode ser que se lhe faça luz.

 

Bom-senso precisa-se (2)

José Sócrates cansou-se de ser previsível e de governar à direita, como o acusam os mais esquerdistas do PS. E como o tempo urge, os descontentes descem à rua e o nosso Primeiro está a ver fugirem-lhe alguns votos necessários, resolveu tomar medidas que contentem a classe média e Manuel Alegre, e que retirem iniciativa ao BE e ao PCP que, pela primeira vez desde há décadas, pondera a hipótese de ir a votos sozinho, desfazendo a longa coligação da classe trabalhadora e outros democratas.

 

Hoje a novidade era a descida dos impostos (1% do IVA). Não sei se é bom se é mau, os meus conhecimentos de finanças e de mercados não me permitem ajuizar o que será melhor para animar a nossa anémica economia. Mas não deixo de achar bizarro que Sócrates assuma uma medida que há cerca de 15 dias apelidou de irresponsável.

 

É claro que a redução do défice é melhor do que estava prometido. Mas ele não saberia isso há 15 dias?

 

O que não me surpreende é ouvir aqueles que têm vindo a exigir redução de impostos há meses se estejam agora a esforçar por demonstrar como esta medida é má e eleitoralista. Nada de novo, portanto, no reino da oposição.

Bom senso precisa-se (1)

Não há fome que não dê em fartura.

 

A preocupação do Procurador Geral da República em relação à violência nas escolas parece-me legítima mas um tanto ou quanto exagerada. A decisão de tratar a aluna como uma criminosa e levá-la a Tribunal de Menores é muitíssimo exagerada e, até, um pouco absurda.

 

Este tipo de situações deveria ser resolvido dentro da escola, pelos Professores, Conselho Directivo, Encarregados de Educação, etc. Até porque os outros alunos também devem ser castigados , e a atitude de filmar e editar no YouTube também é altamente reprovável. Levam-se todos a tribunal?

A Agência Nº1 de Mulheres Detectives

 

Ora aqui está uma série que eu adoraria ver em Portugal. E já agora, que tal traduzirem mais livros da Mma Ramotswe (No 1 Ladies ' Detective Agency - A Agência nº1 de Mulheres Detectives), assim como outros livros do seu criador, Alexander McCall Smith .

 

Anthony Minghella realizou o episódio piloto, Jill Scott  é a protagonista.

 

Estou cheia de inveja.

Rituais pagãos

Pela tarde fora fui procurando palavras e lendo a Bíblia, o Livro do Êxodo. Relembrei as 10 pragas do Egipto, o sangue do cordeiro nas portas, o pão ázimo, o saque que os judeus levaram, a fuga, o apartar das águas do Mar Vermelho, as ordens de Deus para a celebração deste evento.

 

Depois procurei o calendário lunar dos judeus e as suas festividades (Para o ano que vem em Jerusalém).

 

Os ritos pagãos de celebração da Primavera, Páscoas desde tempos imemoriais, adaptados ao judaísmo, posteriormente adaptados ao cristianismo, que permanecem o que sempre foram: a celebração do renascer da terra, da vida, da luz, da vitória sobre o medo, sobre as sombras, sobre a opressão, sobre a morte.

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