Segunda-feira, 28 de Julho de 2014
Papagaio de papel

 

Ter alguém que me indique o norte, que me mostre a estrela polar e a ursa maior, num céu negro e de tal maneira estrelado que nos faz desequilibrar, ter alguém que nos indica que a cor tinta de um rio peo que tem cor do cobre que o solo detém, ter alguém que a propósito da sericaia que se come ao jantar nos ensina que uma das batalhas da restauração foi a do Ameixial, ter alguém que escolhe um vinho de Baleizão - Paço do Conde - e que discorre sobre Catarina Eufémia e a religiosidade associada à sua figura, é algo de raro e de maravilhoso que não me canso de agradecer... e amar.


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publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 22:04
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Ontem à noite

 

Soavam como patos a grasnar, bandos deles por cima da albufeira. Mas se calhar eram gralhas de nuca cinzenta, que gralham alto, em bandos.


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publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 15:44
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Mina de São Domingos

 

Se fosse historiadora, o que nunca poderia ser pela incapacidade memorial inata que tenho, gostaria de estudar a vida quotidiana das populações. Não sei se o que penso é a realidade - que a maior parte da História é feita com base nos documentos deixados pela minoria minoritária que pertencia às camadas sociais que detém o poder. Eu interesso-me particularmente pela massa anónima da população que se organiza numa comunidade e que se enforma numa identidade cultural.

 

A Mina de São Domingos é uma povoação que cresceu à volta da exploração mineira e da extracção de minérios, entre os quais o cobre, a prata e o ouro, que remonta à época romana e é redescoberta no séc. XIX.

 

Ao pé de Mértola, bem para dentro do Alentejo e junto à fronteira espanhola, o que facilitava bastante as rotas de contrabandistas, pode encontrar-se um enorme lago de águas ácidas e tintas, que cobrem a área correspondente à extracção de minérios a céu aberto. A cor da terra é indicativa da maior ou menor abundância em cobre.

 

Um dos antigos palácios dos ingleses está transformado numa estalagem, muito interessante e com muito bom gosto e num local privilegiado, junto a uma praia fluvial (praia da albufeira da Tapada Grande). O restaurante tem uma esplanada muito agradável e serve pratos regionais. O que experimentei ontem - uma sopa de cação - estava verdadeiramente divinal.

 

A povoação está organizada como que por arruamentos concêntricos, com ruas estreitíssimas entre as colunas de habitações. As casas dos mineiros são idênticas às casas de outros locais de exploração mineira, como em Inglaterra, por exemplo.

 

A 2ª feira não é um bom dia de visita por estas bandas. Tanto na Mina de São Domingos como em Mértola, está tudo fechado. O castelo está fechado, a casa museu está fechada, os restaurantes estão fechados. Subindo e descendo as íngremes ruelas de Mértola, sob um sol inclemente, acabámos por ir ter a um restaurante que se chama O Repuxo. Comi achigã grelhado, que estava uma delícia, não antes de ter provado a tentação de queijo e chouriço que nos colocaram na mesa. O melão com que terminámos a refeição era doce e fresco.

 

Não sei muito bem o que faz ali um outro restaurante onde entrámos, à procura de uma sombra, que se chama Terra Utópica, com uma vista deslumbrante sobre o Guadiana, mas em que a sala de comida é interior, com uma carta composta por pastas, bifes panados e semelhantes, em várias línguas, com uma fandangada num volume insuportável. Não me espanta que estivesse vazio, estado a que regressou quando fugimos a sete pés.

 

Alentejo profundo, simpático, vagaroso e afável. As indicações na voz cantada e em gerúndio, tendo aprendido hoje a enrolar em vez de virar, são dadas com um sorriso e uma boa vontade contagiantes. Começaram bem, estes poucos dias de descanso.


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publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 15:28
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Domingo, 20 de Julho de 2014
Jovens deuses

Tenho ouvido muita rádio enquanto, todas as manhãs e todos os fins de tarde, me encaminho de casa para o trabalho e do trabalho para casa.

 

Gosto muito deste bocadinho, principalmente de manhã, em que aqueles 40 minutos me preparam para o dia. Por isso estou, neste momento, mais ou menos a par dos últimos hits.

 

Tão jovens, que jovens são. Ou serão apenas os meus olhos de mais idade que a todos consideram filhos, com a complacência, o espanto e a reverência que nos suscita a juventude, bela e atrevida mas ao mesmo tempo frágil e num desequilíbrio de grandeza e insegurança que enternece de imediato.

 

São jovens deuses que adoramos na perfeição que ainda nos não é completamente alheia e que quase incorpora uma promessa de eternidade.

 

Passanger - Let her go

Milky Chance - Stolen Dance



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:36
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Dos ressentimentos amargurados

Em todas as declarações que faz, António José Seguro mostra o ressentimento e a amargura que a candidatura de António Costa lhe causa. Até em relação à resposta de António Costa quanto ao que pensava sobre a hipótese de António Guterres avançar para a Presidência da República, consegue distorcer as palavras dele para verrinosamente comentar que não é no interior dos partidos que se iniciam as candidaturas presidenciais.

 

A hipocrisia política e a falta de engenho deste Secretário-geral são difíceis de irmanar.

 

Ao contrário de António José Seguro acho que é muito importante saber quem será o candidato presidencial apoiado pelo PS. É indispensável que a esquerda democrática apoie uma figura que devolva a dignidade à Instituição e na qual todo o povo se possa rever logo após as eleições. Cavaco Silva, em contradição com todos os seus antecessores, não soube ser uma referência do país.

 

Cada vez que António José Seguro ataca António Costa mostra que não está ao nível do cargo para o qual tem mandato no partido, mostra quão longe está da estatura que se exige a um Primeiro-ministro.



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:15
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2014
Margens

 

 

Tenho uma janela aberta para o Tejo

uma ponte entre margens desunidas

como amantes eternamente separados

que vivem de memórias

de longínquos olhares

de palavras partilhadas

num qualqer tempo suspenso.

 

Tenho o Tejo numa janela debruçada sobre a ponte

em desequilíbrio de amor permanente

de um doce amargo gosto dependente

como as margens que atravesso

na memória quotidiana dos teus olhos.



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 10:00
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Terça-feira, 15 de Julho de 2014
Primárias no PS

 

Participar nas eleições primárias do PS, para quem se revê nos princípios e valores da democracia solidária, é indispensável para uma clarificação e uma renovação deste partido e do sistema partidário em Portugal.

 

Enquanto assistimos a três anos de propaganda ideológica que convenceu muita gente que a saúde, a educação, a segurança social, a protecção dos mais velhos e dos mais desfavorecidos é um delírio de uma esquerda velha e ultrapassada, pois a verdade é protagonizada pelos mercados e pelo lucro, sendo o aumento da pobreza e da desigualdade social uma realidade inelutável e quase divina, o ambiente político foi-se deteriorando, com a anulação e autofagia do Presidente da República e dos partidos da oposição, sendo o PS o expoente máximo desta degradação. Após o resultado das últimas eleições autárquicas, que confirmaram  a falta de liderança e o descrédito de António José Seguro, tarda a definição urgente de uma alternativa carismática a este Secretário-Geral.

 

Seja para votar em António Costa seja para votar em António José Seguro, é muito importante que a tão falada sociedade civil se empenhe na democracia – escolhendo e votando. Não são as manifestações que demitem governos. São os votos livres, anónimos e conscientes que dão legitimidade ao poder representativo. Não nos demitamos das nossas responsabilidades.

 

A inscrição para as directas já pode ser feita online. Vamos a isso.



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 19:41
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Sábado, 12 de Julho de 2014
Curtas 2

É na terra que o corpo acaba, ou que as cinzas se derramam pela acção da gravidade.

 

E no entanto olhamos para cima, perdidos entre as nuvens de um céu em que crentes ou incréus, instintivamente ligamos à eternidade.


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publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 19:46
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Curtas 1

Na ficção o amor descreve ciclos, começa e acaba de forma avassaladora, com o encontro ou com a separação dos amantes. Vivem um do outro, vivem um para o outro, não vivem um sem o outro. Há redenção e morte, paixão e ventura.

 

Na vida real a morte de um amante arrasta a solidão do outro, dia a dia, hora a hora, até que a solidão seja um hábito. A separação redunda em esquecimento ou amargura, sem negligência, feridas abertas ou lágrimas dolorosas, apenas a nitidez da rotina de sobreviver, ou de encontrar outro alguém com quem se vai partilhando o que resta da existência.

 

O que mais assusta é a banalidade, a quotidiana vivência das actividades mais ou menos reduzida ao primitivo e instintivo acto de manter o funcionamento do corpo.


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publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 19:45
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Sábado, 5 de Julho de 2014
SoWhat?

 

Quiosque Maritaca

17:00h

05/07/2014

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 11:54
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Lembro dias abertos de asas olhando cumes de impossíveis. Lembro dias em que fomos casas conforto de mundos invisíveis. Por isso nos dias de gelo e brasas seremos abraços indestrutíveis. [Maria Sofia Magalhães]
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