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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Segredos e mentiras (*)

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(...) Afinal, a alteração ao Estatuto do Gestor Público que os ex-administradores da Caixa invocam ter tido como objetivo dispensar a entrega das declarações ao TC ainda reforçou essa obrigatoriedade. (...)

 

(...) O Tribunal Constitucional decidiu que Domingues e a sua equipa são obrigados a declarar rendimentos e património. O acórdão ainda não decide sobre o pedido de reserva da informação. (...)

 

Se não fosse triste era mesmo para rir.

 

(*) Título roubado ao filme Secrets & Lies, de 1996, de Mike Leigh

O triste fim do Sr. Meireles

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Pois o nosso maravilhoso Sr. Meireles, fogão arduamente procurado e profusamente utilizado, por carinhosas e empreendedoras mãos, avariou-se ao fim de 5 anos.

 

Um pouco espantada por tão precoce doença (a chama do forno não prendia), tentei, durante cerca de 1 mês, encontrar alguém que nos pudesse arranjar o fogão, mais precisamente o forno.

 

Fui à internet em busca do site dos fogões Meireles, que nos indica 2 casas no distrito de Lisboa que prestam assistência à marca. Telefonámos para um deles que, qual Saúde 24 dos fogões, de imediato diagnosticou o mal – era uma peça partida que seria necessário pedir à marca; logo que tivesse a peça comunicaria. Estamos à espera desde 26 de Janeiro.

 

Depois de 2 semanas recorremos de novo à internet e ligámos para uma outra casa, que também pode prestar assistência à Meireles. Veio de imediato um senhor, que investigou as entranhas do forno e disse que era necessário comprar uma peça que estava partida; logo que tivesse a peça comunicaria. Honra lhe seja feita, não cobrou a deslocação e telefonou ontem para informar que a peça custava €150. Com os €75 da deslocação e da mão-de-obra, ficava-nos o arranjo em €225, quando o fogão tinha custado cerca de €300.

 

No entretanto tentei por diversas vezes contactar com a própria Meireles, para reclamar da assistência e saber quais as alternativas. Depois de emails sem resposta e telefonemas com mensagens gravadas, deixando nome e telefone, consegui chegar à fala com uma senhora muito indisposta, que me disse que a marca dava 2 anos de garantia e que o problema era das empresas que prestavam assistência. O facto de serem recomendadas pela própria marca não a impressionou e não a fez assumir qualquer tipo de responsabilidade na questão.

 

Ficamos pois esclarecidos. A decisão que se impunha era mesmo substituir o fogão por qualquer outro de qualquer marca, com a excepção da Meireles. Por muito que queira consumir produtos de grandes empreendedores portugueses, esta postura é tudo menos motivante.

 

Recorremos a uma loja de electrodomésticos na Estrada de Benfica, das raras que ainda sobrevivem. Hoje mesmo vieram instalar o fogão novo e levar o triste e amado Sr. Meireles, com apenas 5 anos de distintos serviços (o meu fogão anterior durou 25 anos).

Um dia como os outros (172)

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 (...) Nos media, em relação a este caso, Lobo Xavier é descrito como amigo de Domingues e conselheiro de Estado, mas fica sempre esquecido o facto do Lobo ser administrador executivo do BPI. Parece estranho ser um administrador do BPI, concorrente directo da CGD, a ter acesso aos SMS de um ex-presidente da Caixa e a fazer o papel de defensor da ética. Parecendo que não, o indivíduo que traçou o plano da CGD e que trabalhou no BPI, troca e revela SMS sobre a Caixa com Lobo Xavier, administrador do BPI. Já vi toupeiras com menos dioptrias.

 

Tenho a curiosidade aos saltos e gostava de saber durante quanto tempo o doutor Domingues andou a trocar mensagens com o administrador do BPI, desde quando e o que lhe revelou. O meu ADN de porteira começa logo a latejar e fico cheio de vontade de conhecer as SMS trocados entre Domingues, ex-administrador da CGD, e Lobo Xavier, administrador do BPI, ex-banco de Domingues. Aposto que há smiles. (...)

 

João Quadros

Um dia como os outros (171)

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(...) Na verdade, o que a direita não suporta é que Centeno tenha provado que era possível trilhar outro caminho económico, com menos sacrifícios para os portugueses, e mesmo assim conseguir reduzir o défice para valores historicamente baixos, o mais baixo em 42 anos de democracia, coisa que a direita nunca conseguiu até agora. O que a direita não perdoa a Centeno é que tenha conseguido fazer isto colocando a economia a crescer um pouco mais do que se esperava, com o regresso do investimento, a subida das exportações, a melhoria do clima económico e do indicador de confiança.

 

É por isso que a direita quer abater Centeno. O homem tem um belo cartão de visitas para apresentar cá dentro e lá fora, junto dos seus parceiros do Eurogrupo. E o que importa ao país não são seguramente os sms que trocou com Domingues mas os resultados económicos das suas políticas. Para já, os segundos estão a ganhar por 10-0 aos primeiros.

 

Nicolau Santos

E ainda...

... Estou a ouvir o André Macedo na RTP3 e até me parece estar a dizer coisas sensatas, ele e António José Teixeira.

 

Por outro lado, estou convencida que a maioria das pessoas está farta deste tema e o que quer é que Mário Centeno e o Governo continuem o seu trabalho!

 

O novelo da novela

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Mário Centeno é o Ministro das Finanças de um governo que, após os anos de chumbo que vivemos, conseguiu cumprir não todas as promessas, mas algumas delas bem importantes, nomeadamente o défice, ao mesmo tempo que devolvia alguns dos rendimentos que tinham sido retirados dos cidadãos, não provisoriamente como a PAF nos queria fazer crer, mas definitivamente como a PAF prometia em Bruxelas.

 

Herdou um enorme imbróglio no sector financeiro, com o problema do BANIF a explodir-lhe nas mãos, para além do problema da CGD que, não esqueçamos, Passos Coelho gostaria muito de privatizar. Conseguiu uma vitória negocial em Bruxelas, precisamente sobre a mesma CGD, que todos tinham vaticinado impossível.

 

Ao querer uma administração profissional, acabou por ceder onde não devia ter cedido - permitir que António Domingues e a sua equipa exigissem o inaceitável. Não tenho dúvidas que o terá feito de boa fé e a bem do País, mas o Estado tem que se dar ao respeito e não pode permitir que os Administradores ditem as leis que querem e que não querem cumprir.

 

A oposição de direita não tem conseguido vender aos cidadãos a sua cartilha; há distensão social, as pessoas têm mais esperança, os indicadores económicos estão a melhorar, tudo lhe corre mal.

 

Usando de uma linguagem boçal, dando cambalhotas de incoerência e criando casos, a direita política viu nesta atabalhoada negociação entre o governo e a administração da CGD a oportunidade para atacar Mário Centeno. Tudo serve, até mesmo a publicação das SMS trocadas entre ele e António Domingues. Já não há nada que seja privado, nem as mensagens que se trocam no telemóvel.

 

E não há boa notícia que abafe a gritaria da direita, secundada por uma comunicação social que faz parte do combate político, cujos comentadores vêm os seus comentários desmentidos pela realidade, à medida que a Geringonça se mantém a governar e até a Europa elogia a governação.

 

Por muito bom Ministro que Mário Centeno tenha sido e seja, penso que a sua permanência no governo será uma fonte de desgaste permanente. Ou a base política de apoio - PS, BE e PCP - consegue marcar a agenda mediática de forma a calarem a direita, ou Mário Centeno terá que pagar com a sua demissão o erro que cometeu com António Domingues. É muito injusto, mesmo muito, mas não me parece haver muitas alternativas.

 

Nota: não consigo compreender como Marques Mendes se mantém a fazer as figuras que faz; como Lobo Xavier sabe da existência de SMS comprometedoras ou não; como estas duas personagens se mantém como conselheiros de Estado.

Estratégias

sondagensfev 2017.png

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Parece que a estratégia de Passos Coelho e de Assunção Cristas com a TSU não terá tido grande resultado.

 

Veremos se o arrastar do assunto CGD e Mário Centeno mantém, reduz ou aumenta a distância entre a Geringonça e a (ex-) PAF.

 

A dor dos outros

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The mourners

 

A dor dos outros

Está fora da janela.

Entristece-nos

Como um ciclo de chuvas

Mas não nos molha os pés

Nem os cabelos.

 

Por vezes avistamo-la

Na soturna rua

Que a medo atravessamos.

Ou no café

Onde uma mão se estende.

 

Vamos então ao armário maior

Buscar o dó, a pena.

E ao porta-moedas

Rebuscar uns trocos.

 

Alguns de nós

Mas poucos, muito poucos,

Guardaram bagas

Que o tempo lhes ditou.

Verdades que hibernaram

No gelo das idades

E germinaram em caverna escura.

 

Só esses têm a coragem de ver

Que a dor dos outros

É sempre a nossa dor

Que anda em viagem.

E que, curvada,

Ao peso da bagagem

Nos persegue

E procura.

 

Isabel Fraga