Basta assistir aos vários telejornais das várias televisões, ler os vários jornais em papel ou online, ouvir os serviços noticiosos das várias estações de rádio, para nos apercebermos de imediato da aflitiva falta de liberdade de expressão existente em Portugal.
Felizmente temos um deputado europeu corajoso que, arrostando contra o risco da expulsão sumária e do exílio perpétuo, denuncia esta vergonhosa situação nas instâncias internacionais. Talvez assim haja audiência europeia e intervenção rápida e certeira.
Felizmente temos partidos responsáveis e atentos que, contra as maquinações hediondas do Primeiro-ministro, acolitado pelo Procurador Geral da República e pelo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e, quem sabe, de outras figuras menos gratas mas mais subterrâneas, na prossecução dos seus totalitários intentos, levantam bem alto o mastro da resistência.
Sendo assim, esperamos que a manifestação demonstre a férrea esperança do povo nos seus representantes de direita e de extrema-esquerda que, de imediato, resolverão tão grave assunto com uma moção de censura ao governo e subsequente queda, formando uma aliança de salvação nacional, medalhando os sofredores e heróis amantes da liberdade.
(...) O desdém pela forma - "isso é muito giro, mas o que interessa são os factos" - só se pode justificar pela desvalorização do princípio do primado da lei que, entre outros, sustenta a democracia liberal. A secundarização da forma em relação ao conteúdo tem muitos e pouco respeitáveis antepassados como, por exemplo, Hitler e Estaline.
Johan Sebastian Bach
David Oistrakh
Mario Irarrázabal: Mano del Desertio
As mãos espelham a lucidez
arde nos dedos o vazio das encostas agrestes
dos rios secos nas pedras sinuosas.
Os que clamam pela demissão de Sócrates a propósito dos artigos do Sol, que configuram uma flagrante violação pelo princípio constitucional que diz que todos têm direito a serem considerados inocentes até um julgamento por tribunal os condenar, em flagrante violação do preceito constitucional que diz que todos têm direito à sua privacidade, estão eles próprios a aceitar que, um dia destes, o mesmo lhes possa acontecer.
Porque é exactamente isso que vai suceder. Neste momento, apesar de se dizerem repugnados pelos métodos, já os aceitaram com a desculpa que o que está a ser revelado é horrível. Mas ninguém sabe se o que está a ser revelado é verdade ou mentira. O que sabemos é que é uma parte criteriosamente escolhida de muitas outras partes.
Mas é claro que isso não interessa, porque o objectivo está a ser atingido. Aquilo que não se conseguiu por via eleitoral, está a tentar-se pela via da calúnia e da ignomínia. O mais engraçado é a utilização da palavra carácter. Pelos vistos quem quebra sistematicamente o segredo de justiça, quem subverte todos os dias o estado de direito, quem acha que as regras são só para os outros cumprirem tem carácter que sobeje. Com este tipo de actuação, que se diz jornalismo de investigação, estamos a hipotecar a nossa liberdade.
*Mitridatismo - ao contrário do que Pacheco Pereira considera, o veneno é a violação dos preceitos da justiça.
Nota: Vale a pena ler este post do Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado.
Andrés Calamaro
Esperame en el cielo corazon
Si es que te vas primero
Esperame que pronto yo me ire
Ahi donde tu estes
Esperame en el cielo corazon
Si es que te vas primero
Esperame en el cielo corazon
Para empezar de nuevo
Nuestro amor es tan grande y tan grande
Que nunca termina
Y esta vida es tan corata y no basta
Para nuestro idilio
Por eso yo te pido porfavor
Me esperes en el cielo
Y ahi entre nuves de algodon
Haremos nuestro nido
Nuestro amor es tan grande y tan grande
Que nunca termina
Y esta vida es tan corata y no basta
Para nuestro idilio
Por eso yo te pido porfavor
Me esperes en el cielo
Y ahi entre nuves de algodon
Haremos nuestro nido
É difícil escrever sobre os recentes acontecimentos e a noção que tenho de democracia. Estou definitivamente fora de moda.
No ingénuo e desacreditado princípio que acreditava ser a base dos estados democráticos, o poder deveria ser exercido pelos representantes do povo, livremente escolhidos; nessa minha utópica ideia, o poder judicial seria independente do político; supremo engano, o jornalismo seria um baluarte da defesa dos princípios da verdade e da informação.
Olho para o nosso país e o desalento é tão grande que nem sei o que pensar. O jornalismo está ao serviço das várias forças partidárias e dos vários poderes. Serve para veicular histórias, independentemente da sua veracidade, que são usadas para manipular politicamente os cidadãos. A justiça é uma farsa, usando-se casos em segredo, escutas ilegais, destruindo tudo o que são alicerces dos direitos dos cidadãos, como o de serem investigados e julgados pelos tribunais e não na praça pública.
A caça ao homem é a nova modalidade desportiva das nossas elites políticas. Conspurca-se a palavra carácter, usada indiscriminadamente e sem qualquer adequação.
A lei, a justiça, os tribunais, a presunção de inocência são lirismos que passaram a ser arcaísmos. Calúnia, difamação, escutas ilegais, devassa da privacidade, promiscuidade entre os media e os meios judiciais, são o novo paradigma deste presente que, não só de forma Orwelliana mas também Philipiana, não olham a meios para atingir quaisquer fins, bastando lançar as suspeitas de intenções malignas sem necessidade de prova ou demonstração de que essas intenções estão em concretização.
A coberto da liberdade de informação, esse direito constitucional inalienável nos estados democráticos, esqueceram-se todos os outros direitos constitucionais inalienáveis, como os direitos liberdades e garantias dos cidadãos, nomeadamente o de confiarem na justiça.
Nota: Vale a pena ler Pedro Adão e Silva, Daniel Oliveira, Pedro Marques Lopes e Francisco Proença de Carvalho.
Guilherme Silva acha que pregaram a partida ao PS e ao governo. O problema é que também estão a pregar uma partida a Cavaco Silva e ao país inteiro.
Baden Powel & Vinicius de Morais
Canta Esperanza Spalding
Eu sem você não tenho porque
porque sem você não sei nem chorar
Sou chama sem luz
jardim sem luar
luar sem amor
amor sem se dar
E eu sem você
sou só desamor
um barco sem mar
um campo sem flor
Tristeza que vai
tristeza que vem
Sem você meu amor eu não sou
ninguém
Ah que saudade
que vontade de ver renascer
nossa vida
Volta querido
os meus braços precisam dos teus
Teus abraços precisam dos meus
Estou tão sozinha
tenho os olhos cansados de olhar
para o além
Vem ver a vida
Sem você meu amor eu não sou
ninguém
Os partidos da oposição, nomeadamente o PSD e o CDS à direita, o BE e o PCP à esquerda, devem assumir as suas responsabilidades. Já que estão de acordo sobre esta e outras leis que já passaram na Assembleia, talvez valesse a pena chegarem a acordo para uma alternativa ao governo do PS.
Assim como o Presidente Cavaco Silva. Se optar por caucionar esta nova coligação, pode preparar-se para encontrar outra solução governativa.
Entretanto há sempre umas mentes peregrinas que se esquecem do que é a liberdade individual e a privacidade, achando que os fins (combate à corrupção) justificam quaisquer meios (acesso aos rendimentos de todos os cidadãos através da internet). Até porque não se percebe como é que a corrupção é combatida com esta medida, a não ser que todos os cidadãos passassem a ser informadores do fisco. Pelos vistos Francisco Assis também não percebe.
Paulo Portas, totalmente encafuado no fato de estadista, populista, absolutamente credível político dos capacetes azuis, vai preenchendo páginas de jornais e minutos televisivos.
Vivemos tempos bem complicados e perigosos.
pintura de Alain Gazier: Souvenir
Voam vozes e papéis
à porta o silêncio arranha.
Deixem-me dormir na paz das pedras
dos rios sem retorno.
pintura de Li Junsheng: sandstone painting
Hoje foi mais difícil o mundo
tão pesados os ombros, tão fundo
o olhar que me falta.
Hoje senti a constante incerteza
magma de enorme dureza
com que desfazemos a vida.
Hoje regresso ao granito
que o pó de um deus finito
e negligente, cristalizou.
Porque é que os clientes do BPP não vaiam João Rendeiro? Será que os bancos privados são privados para os lucros e públicos para os prejuízos?
(...) "A Madeira tem um rendimento 'per capita' superior a muitas regiões de Portugal, por isso, não consigo perceber o porquê das transferências" para a Região questionou o economista, que é também membro do Conselho de Estado. (...)
É enternecedor observar o desvelo com que tantos me tratam na blogosfera. Do paternalismo simpático ao mais completo enfado pela minha evidente inferioridade intelectual, tentam conduzir-me ao bom caminho, mesmo achando, desde há muito tempo, que o meu deslumbramento com o governo socialista e com o Primeiro-Ministro José Sócrates, principalmente no que diz respeito às novas tecnologias, não seja consentâneo com o vazio cerebral que me caracteriza.
Agradeço as atenções. Vou estar atenta e beber bebidas fosfóricas e muito sumo de cenoura, para nutrir os neurónios e aguçar o sentido da visão. Com a vossa ajuda certamente serei mais rápida, sagaz, arguta e responsável, aceitando-vos como guia do meu básico mundo.
O artigo de Mário Crespo utiliza as ferramentas de um passado longínquo mas não esquecido, as informações de alguém que ouviu uma conversa num restaurante.
O artigo de Mário Crespo foi recusado pelo jornal onde tinha uma coluna de opinião. É o director do JN que é responsável pela recusa do artigo e deve assumi-lo sem reservas. Concordemos ou não com a decisão do director, desde que cumpra a lei, está no seu pleno direito. Tal como o articulista tem o direito de se queixar às entidades reguladoras ou outras, as próprias para dizerem de sua justiça.
Não há inocentes neste episódio. Sócrates e os seus ministros têm obrigação de saber o que pode ou não ser comentado e divulgado ao ser ouvido em público. Mário Crespo sabe que o seu artigo é um conjunto de maledicência e do mais puro diz-que-diz, mas muito cuidadoso no que se refere à divulgação do executivo da televisão.
Esta asfixia democrática tem pouco de asfixia e muito de democrática, na triste figura dos intervenientes.
Depois do aeroporto, do défice e do plano rodoviário segue-se o TGV. Mas que grande embrulhada.
Afinal em que ficamos – deve ou não fazer-se o TGV? É um programa de desenvolvimento ou de empobrecimento do país? Aumenta o défice e a dívida pública ou não?
Estamos a assistir a um castelo de cartas a desmoronar? Sinceramente, está a ser difícil manter a compostura.
A burca é um símbolo de submissão da mulher, é um símbolo de discriminação e de identificação religiosa. A burca é uma mistificação fundamentalista, um ferrete de menoridade e de reduzida cidadania.
Concordo com todas estas frases. Mas não concordo com a proibição do uso de burcas. Não é possível assegurar que algumas dessas vestes não sejam usadas por escolha livre e despoluída de lavagem cerebral. Tal como não concordaria com a proibição do bikini, dos piercings ou da impossibilidade de uso de calças pela mulher. Tal como não concordo que impeçam as freiras de usarem o seu hábito nos edifícios públicos, como escolas e universidades.
Tal como não concordo com a reivindicação de alteração de normas e de horários por causa dos burkinis. Tal como concordo com a obrigação de todas as crianças irem à escola. Independentemente da raça, etnia, cultura, naturalidade, etc., todos os cidadãos devem seguir um plano nacional de vacinação, enfim, sujeitarem-se à legislação do país onde vivem.
Proibir o uso da burca pode ser tão fundamentalista como proibir o uso de crucifixos ou da circuncisão masculina.
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