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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Afinal há alternativas

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Desde que foi apresentado o estudo Uma década para Portugal que recomeçou a discussão política. Finalmente!

 

Há propostas, há alternativas, há ideias. Vamos lê-las, ouvi-las, discuti-las, compará-las com a velha ordem exausta e depauperada, vamos reacender a esperança.

 

O Parlamento foi bem o cenário do arrepio que alastra por esta maioria que nos governa. A nova Troika tem os dias contados. Resta ao PS tudo fazer por uma maioria absoluta de forma a poder concretizar um programa credível em que nos possamos rever e aglutinar.

Amanhã

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41 anos de Liberdade

 

1ª senha 

 

 2ª senha

Um dia como os outros (155)

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 (...) Mas o que foi apresentado por Mário Centeno tem uma enorme vantagem: é claro e é diferente.(...)

(...) Os economistas caucionados pelo PS não propõem apenas acelerar o fim da austeridade, propõem acabar com a política que a troika impôs a Portugal e que o governo de Passos Coelho acolheu, por nela acreditar. (...)

(...) A diferença entre estas duas políticas é, diria Vítor Gaspar, enorme. Com o PSD, o Estado "encolhe". Com o PS, o Estado vai gastar mais do que hoje mas vai também ter mais receitas porque o PIB cresce mais.

Embora se comprometa com metas de dívida e défice orçamental, António Costa acaba de perder a passadeira vermelha para entrar em quatro cidades: Berlim, Bruxelas, Frankfurt e Washington. A troika deve estar aos murros na parede depois de ouvir isto. (...)

(...) Mas hoje já podemos analisar isto: o PS e o PSD defendem o contrário um do outro. O "não há alternativa" já não existe para os eleitores. E isso coloca a discussão política num nível completamente diferente. 

Onde o PSD defende cofres cheios, o PS propõe bolsos cheios.

 

Pedro Santos Guerreiro

Uma Década para Portugal

Da hegemonia mediática da direita

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Dados retirados da PORDATA e da EUROSONDAGEM

 

A propósito da publicitação dos resultados da Eurosondagem publicados no último fim de semana, é muito interessante verificar os títulos dos jornais e televisões, realçando a subida do PSD e a estagnação do PS nas intenções de voto dos portugueses.

 

Mas se observarmos os gráficos mais acima e os compararmos com os da sondagem, podemos verificar que a direita (PSD+CDS) nunca teve uma percentagem tão baixa em eleições legislativas: em 1975, em pleno PREC, a direita conseguiu 36,6% dos votos - mais 1,9% que na dita sondagem; e em 2005, na altura em que o PS conseguiu maioria absoluta, PSD e CDS somaram 37,1% dos votos - mais 2,4% que na referida sondagem.

 

Ou seja, nunca a direita teve tão pouca expressão eleitoral com a que tem agora. O espantoso é que não ouvi nem li em lado nenhum os dados apresentados desta forma (ou de outra semelhante) nem ouvi qualquer jornalista perguntar aos diferentes comentadores (que, por acaso, pertencem quase todos ao espectro político da maioria governamental) como podem explicar que, em Portugal, nunca desde o 25 de Abril a direita represente tão pouco da sociedade portuguesa, ao contrário do que parece, pelas barragens e manipulações mediáticas a que assistimos diariamente.

 

Tal como na altura do PREC, só que de sinal contrário.

Come Healing

Leonard Cohen

 

O gather up the brokenness
And bring it to me now
The fragrance of those promises
You never dared to vow

The splinters that you carry
The cross you left behind
Come healing of the body
Come healing of the mind

And let the heavens hear it
The penitential hymn
Come healing of the spirit
Come healing of the limb

Behold the gates of mercy
In arbitrary space
And none of us deserving
The cruelty or the grace

O solitude of longing
Where love has been confined
Come healing of the body
Come healing of the mind

O see the darkness yielding
That tore the light apart
Come healing of the reason
Come healing of the heart

O troubled dust concealing
An undivided love
The Heart beneath is teaching
To the broken Heart above

O let the heavens falter
And let the earth proclaim:
Come healing of the Altar
Come healing of the Name

O longing of the branches
To lift the little bud
O longing of the arteries
To purify the blood

And let the heavens hear it
The penitential hymn
Come healing of the spirit
Come healing of the limb

O let the heavens hear it
The penitential hymn
Come healing of the spirit
Come healing of the limb

Das provocações da direita às reacções da esquerda

O debate lançado pelo Observador sobre a necessidade de uma nova Constituição deve interessar a todos. Aos que concordam e pensam ser necessário redigir uma Constituição e aos que não concordam e pensam ser necessário apenas ir revendo a Constituição existente.

 

De uma forma ou de outra ninguém deve ficar indiferente e recusar o debate. A esquerda não pode transformar o tema constitucional num tabu, como se se tratasse de um texto sagrado e clamando por blasfémia de cada vez que se fala - habitualmente a direita e com intuitos obviamente ideológicos - em fazer uma nova Constituição.

 

O que eu gostaria de ver era a esquerda a explicar porque não quer um novo texto Constitucional, o que pretende manter e o que pretende rever, quando, como e porquê. Se o debate está enviesado à direita a esquerda tem obrigação de o redireccionar.

 

A Constituição tem quase 40 anos e o mundo mudou. Não me causa qualquer espanto a defesa de uma nova Constituição. Penso mesmo que os partidos deveriam ser transparentes e explicarem o que querem mudar ou manter na Constituição, ficando assim com um mandato para a revisão, alteração ou mesmo para se eleger uma nova Assembleia Constituinte. O que me preocupa é perceber que da parte da esquerda há pânico em vez de ideias e de firmeza.

 

A este propósito, vale a pena ler este excelente texto de Domingos Farinho.

Da tolerância democrática

Não deixa de ser surpreendente que alguém se candidate a Presidente da República, uma das Instituições da nossa democracia, e tenha tanto desrespeito e desprezo por outra Instituição da nossa democracia. Aliás se não existisse um regime democrático (e Republicano) essa figura não teria oportunidade de poder candidatar-se sequer.

Da hipocrisia pornográfica

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 Mariano Gago

 

São quase pornográficas as declarações que ouvimos de Passos Coelho e de Nuno Crato, na hora em que vestem o luto e afivelam rostos de circunstância e pesar, elogiando o trabalho de um homem que dedicou muito da sua vida a construir tudo aquilo que os dois se apressaram a destruir.

Do voto de confiança

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Apesar dos erros que estão, na minha opinião, a ser cometidos pelo PS - política de alianças, estratégia presidencial, falha na liderança da agenda política, apesar das sondagens não demonstrarem a tão ansiada subida de intenções de voto, apesar de me indignar com as incapacidades da oposição, não me restam nenhumas dúvidas quanto à infinita diferença entre esta direcção do PS e a anterior.

 

António Costa tem tudo para ser um excelente Primeiro-ministro: cultura política, diplomacia, honestidade, frontalidade e bom-humor, experiência governativa e coragem para enfrentar adversidades. O PS, mais devagar do que eu gostaria, é certo, tem centrado a sua acção de forma hierarquizada em relação às prioridades que definiu, com bastante habilidade e realismo. É um alívio olhar para António Costa e para os seus colegas e perceber que podemos confiar neles.

Dos erros (ex) Presidenciais

Se Ramalho Eanes apoiar a candidatura de Sampaio da Nóvoa para as próximas eleições presidenciais, o PS perde a possibilidade de apresentar, de forma explícita ou não, qualquer outro candidato da área do centro-esquerda que possa ampliar a base de apoio e protagonizar uma verdadeira mudança de ciclo político no País.

 

Como está cada vez mais à vista, o PS foi ultrapassado pelos acontecimentos e não consegue arrancar com alma e coragem, deixando a iniciativa nas mãos das forças políticas mais ou menos marginais à esquerda e nas mãos da direita, com Marcelo Rebelo de Sousa em grande actividade dando gás a esta candidatura.

 

Considero-a (mais) um erro estratégico da esquerda, que se perde nos entrincheiramentos monolíticos e reage a tudo como actos provocatórios, sem que lhe ocorra, àquela histórica esquerda revolucionária, criativa e desestabilizadora, ter alternativas e imaginação. Em vez do descabelamento e das juras de amor eterno ao Texto Constitucional, recusando (por blasfema) a hipótese de discutir a possibilidade de se escrever uma nova Constituição, deveria preocupar-se em avançar com propostas que renovassem a democracia e obrigassem a direita ao desconforto.

 

Infelizmente estamos a assistir ao contrário. Por isso parece-me um erro também de Ramalho Eanes adiantar-se neste apoio, arrumando por mais 10 anos a questão presidencial.