Sábado, 19 de Abril de 2014
Em modo preparatório (repasto pascal)

 

 

 

 

O pão-de-ló é um bolo de grande tradição na cozinha portuguesa e nesta particular época festiva. Sim, porque todas as celebrações religiosas acabam sempre em grandes banquetes e, por muito devotos que sejamos (e eu não sou rigorosamente nada), ninguém dispensa as iguarias que se preparam afanosamente, com mais ou menos imaginação.

 

Pois um dos segredos do bom pão-de-ló é o tempo durante o qual se deve bater o açúcar com os ovos, para que fique bem fofo. Esse é um segredo que todos conhecem. Um outro, mais bem guardado, é a forma de conseguir um pão-de-ló líquido no centro. Para além da enorme quantidade de gemas necessária, não percebo como se faz.

 

Sendo assim, atrevida mas ainda não o suficiente, deixo essa experiência para outra altura.

 

Hoje resolvi preparar o pão-de-ló como é hábito (50g de açúcar por cada ovo/ metade do peso do açúcar em farinha) - bater muito bem os ovos com o açúcar, até ficar um creme quase branco, juntar-lhe a farinha e misturar, cozer em forno médio (foram cerca de 15 minutos para 6 ovos) numa forma untada com margarina e polvilhada de farinha. Mas...

 

... não é em vão que se consomem várias horas de MasterChef (Austrália). Pão-de-ló, só assim, tão e é pouco para a minha mesa de Páscoa. E que tal uma calda, para molhar o dito? Raspei (com o inexcedível Microplane) 2 laranjas e espremi essas 2 e mais uma para dentro de um tacho, juntei 6 colheres de sopa de açúcar e um pouco de licor de café (a olho, confesso, umas boas goladas). Depois de fervilhar durante um bocado, até ficar com um pouco de ponto, dei a calda por terminada. Mas...

 

... faltava ainda a parte crocante. Toca de moer grosseiramente uns amendoins e de os torrar na frigideira antiaderente (foi um instante, ficaram ligeiramente torrados de mais). Mas...

 

... para a felicidade e a sofisticação serem supremas, a cereja no topo do bolo, ou seja, ainda precisava de ter natas batidas com açúcar, cremosas e sedosas, o que daria ao pão de ló a companhia ideal para ser mais que pão. O problema é que as natas que encontrei - mimosa - me mimosearam com a tristeza de nem serem de seda nem se transformarem em creme, apenas num líquido pastoso e desanimado.

 

Está no frigorífico. Pode ser que amanhã ressuscite, para condizer com o dia.

 


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publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 23:18
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Penitência contínua

 

A tragicomédia desta governação continua a bom ritmo. Infelizmente é um espectáculo moderno, em que os espectadores também são parte activa da peça.

 

A Portaria n.º 82/2014, de 10 de Abril, pretende clarificar as valências dos hospitais, segundo critérios de base populacional e de referenciação, estabelecendo 4 grupos de hospitais, dos menos (grupo I) para os especializados (grupo IV).

 

Começo por me espantar com a forma como se decidiu quais os hospitais pertencentes a cada grupo, vendo o Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, EPE (HFF) no grupo I e o Hospital Garcia de Orta, EPE (HGO) no grupo II. Continua o espanto ao ver que a especialidade de Anatomia Patológica vem referenciada apenas no grupo II - será que o HFF vai deixar de ter serviço de Anatomia Patológica? Para onde irão enviar os milhares de biopsias, peças cirúrgicas e citologias que recebe anualmente? Isto para não falar do Centro Hospitalar Cova da Beira (CHCB), também do grupo I, que é um Hospital universitário - Universidade da Beira Interior.

 

Acabo a espantar-me porque, imediatamente após a publicação da Portaria já há muitos a dizer que não será para cumprir.

 

Muitos pecados tem este País a expiar, que isto nunca mais acaba.

 


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publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:51
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Sexta-feira, 18 de Abril de 2014
Em modo revolucionário - Trova do vento que passa

 

Manuel Alegre

Carlos Paredes

Amália Rodrigues

 

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém me diz.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que eu morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio - é tudo o que tem
quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira dum rio triste.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.


publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 00:29
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Quinta-feira, 17 de Abril de 2014
Em modo revolucionário - Liberdade

 

Sérgio Godinho

 

Viemos com o peso do passado e da semente 
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente 
e a sede de uma espera só se estanca na torrente 
e a sede de uma espera só se estanca na torrente 

 

Vivemos tantos anos a falar pela calada 
Só se pode querer tudo quando não se teve nada 
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada 
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada 

 

Só há liberdade a sério quando houver 
A paz, o pão 
habitação 
saúde, educação 
Só há liberdade a sério quando houver 
Liberdade de mudar e decidir 
quando pertencer ao povo o que o povo produzir 
quando pertencer ao povo o que o povo produzir

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 23:58
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Domingo, 13 de Abril de 2014
Mais contas

 

Continuando com as contas.

 

O valor mínimo das pensões de velhice do regime geral da Segurança Social é 259,40 euros:

  1. Nos meses de 30 dias (Abril, Junho, Setembro e Novembro), quem recebe o salário mínimo pode gastar 8,64 euros por dia - para comer, pagar transportes, água, luz, gás, medicamentos, vestir-se e pagar casa.
  2. Nos meses com 31 dias (Janeiro, Março, Maio, Julho, Agosto, Outubro e Dezembro) tem a enorme quantia de 8,36 euros por dia.
  3. Em Fevereiro terá 9,26 ou 8,94 euros, para anos normais ou bisextos, respectivamente.

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:11
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Sábado, 12 de Abril de 2014
O nosso problema

 

 

No mês passado assistiu-se a uma grande comoção perante as despesas que se temiam para os 40 anos do 25 Abril - chaimites com cravos, de Joana Vasconcelos.

 

Pois se calhar ficava mais em conta colocar alguns dos protagonistas - Vasco Lourenço e companheiros - a falar do 25 de Abril, nas cerimónias oficiais da Assembleia da República. É que, por muito disparatadas sejam algumas das declarações que os representantes da Associação 25 de Abril fazem, sem eles não teria havido 25 de Abril, Assembleia da República nem os 40 anos de democracia. Provavelmente iriam dizer coisas desagradáveis, mas a democracia é isso mesmo, ouvirmos mesmo o que não gostamos.

 

Ao contrário do que afirma Assunção Esteves, o problema é nosso. Um problema que alastra como uma maré negra - a falta de credibilidade nas instituições democráticas, a falta de memória sobre o que significou a ditadura deposta em 25 de Abril de 1974 e a desconsideração pelos valores da liberdade, que deveriam ser justamente exaltados nessa data. Por toda a gente, sem excepção.

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:34
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Salário mínimo

 

Estive a fazer contas.

 

O salário mínimo é 485,00 euros:

  1. Nos meses de 30 dias (Abril, Junho, Setembro e Novembro), quem recebe o salário mínimo pode gastar 16,16 euros por dia - para comer, pagar transportes, água, luz, gás, vestir-se e pagar casa.
  2. Nos meses com 31 dias (Janeiro, Março, Maio, Julho, Agosto, Outubro e Dezembro) tem a enorme quantia de 15,64 euros por dia.
  3. Em Fevereiro terá 17,32 ou 16,72 euros, para anos normais ou bisextos, respectivamente.

Se o salário mínimo passasse para 500,00 euros estaríamos a falar de

  1. mais 0,5 euros/dia
  2. mais 0,48 euros/dia
  3. mais 0,53 ou 0,51 euros/dia

Não há vergonha nem decência.

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:00
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Terça-feira, 1 de Abril de 2014
Um dia como os outros (139)

 

 

 

(...) Para o deputado Duarte Marques (e seguramente para o eurodeputado do CDS, Nuno Melo), o que importa é saber se Constâncio sabia ou não sabia do caso BPN, umas horas, uns dias ou uns meses antes do que disse. Isso é que é importante. Isso é que conta. Porque se isso for provado, o culpado de tudo o que se passou no BPN é de Constâncio. Os senhores Oliveira Costa, Caprichoso, Fantasia e todos os que fizeram negócios mentirosos com créditos que nunca pagaram do BPN (por acaso todos figuras gradas do cavaquismo) são uns santos e umas vítimas. Funcionasse a supervisão do Banco de Portugal e eles não teriam sido tentados pelo pecado da ganância. (...)

Nicolau Santos



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:33
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Domingo, 30 de Março de 2014
Da falta de adesão à realidade

 

Sobre a petição de que falei ontem (lançada na sexta-feira):

 

 

Rangel diz que manifesto "não teve adesão dos portugueses" e já "saiu da agenda”

 

 

Petição do manifesto dos 74 reúne assinaturas suficientes para ir ao Parlamento

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 10:17
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Sábado, 29 de Março de 2014
Lisboa

 

 Lisboa

 

 

O arco do Tejo abraça Lisboa.

Imóvel e secreta no cais do mundo

a cidade escreve a próxima viagem

no preciso instante em que regressa.

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 18:29
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dez mil déspotas abrigados/ à sombra do teu não./ tu resistes./ e na tua resistência está o seu pão. [Porfírio Silva]
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