Domingo, 20 de Julho de 2014
Jovens deuses

Tenho ouvido muita rádio enquanto, todas as manhãs e todos os fins de tarde, me encaminho de casa para o trabalho e do trabalho para casa.

 

Gosto muito deste bocadinho, principalmente de manhã, em que aqueles 40 minutos me preparam para o dia. Por isso estou, neste momento, mais ou menos a par dos últimos hits.

 

Tão jovens, que jovens são. Ou serão apenas os meus olhos de mais idade que a todos consideram filhos, com a complacência, o espanto e a reverência que nos suscita a juventude, bela e atrevida mas ao mesmo tempo frágil e num desequilíbrio de grandeza e insegurança que enternece de imediato.

 

São jovens deuses que adoramos na perfeição que ainda nos não é completamente alheia e que quase incorpora uma promessa de eternidade.

 

Passanger - Let her go

Milky Chance - Stolen Dance



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:36
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Dos ressentimentos amargurados

Em todas as declarações que faz, António José Seguro mostra o ressentimento e a amargura que a candidatura de António Costa lhe causa. Até em relação à resposta de António Costa quanto ao que pensava sobre a hipótese de António Guterres avançar para a Presidência da República, consegue distorcer as palavras dele para verrinosamente comentar que não é no interior dos partidos que se iniciam as candidaturas presidenciais.

 

A hipocrisia política e a falta de engenho deste Secretário-geral são difíceis de irmanar.

 

Ao contrário de António José Seguro acho que é muito importante saber quem será o candidato presidencial apoiado pelo PS. É indispensável que a esquerda democrática apoie uma figura que devolva a dignidade à Instituição e na qual todo o povo se possa rever logo após as eleições. Cavaco Silva, em contradição com todos os seus antecessores, não soube ser uma referência do país.

 

Cada vez que António José Seguro ataca António Costa mostra que não está ao nível do cargo para o qual tem mandato no partido, mostra quão longe está da estatura que se exige a um Primeiro-ministro.



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:15
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2014
Margens

 

 

Tenho uma janela aberta para o Tejo

uma ponte entre margens desunidas

como amantes eternamente separados

que vivem de memórias

de longínquos olhares

de palavras partilhadas

num qualqer tempo suspenso.

 

Tenho o Tejo numa janela debruçada sobre a ponte

em desequilíbrio de amor permanente

de um doce amargo gosto dependente

como as margens que atravesso

na memória quotidiana dos teus olhos.



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 10:00
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Terça-feira, 15 de Julho de 2014
Primárias no PS

 

Participar nas eleições primárias do PS, para quem se revê nos princípios e valores da democracia solidária, é indispensável para uma clarificação e uma renovação deste partido e do sistema partidário em Portugal.

 

Enquanto assistimos a três anos de propaganda ideológica que convenceu muita gente que a saúde, a educação, a segurança social, a protecção dos mais velhos e dos mais desfavorecidos é um delírio de uma esquerda velha e ultrapassada, pois a verdade é protagonizada pelos mercados e pelo lucro, sendo o aumento da pobreza e da desigualdade social uma realidade inelutável e quase divina, o ambiente político foi-se deteriorando, com a anulação e autofagia do Presidente da República e dos partidos da oposição, sendo o PS o expoente máximo desta degradação. Após o resultado das últimas eleições autárquicas, que confirmaram  a falta de liderança e o descrédito de António José Seguro, tarda a definição urgente de uma alternativa carismática a este Secretário-Geral.

 

Seja para votar em António Costa seja para votar em António José Seguro, é muito importante que a tão falada sociedade civil se empenhe na democracia – escolhendo e votando. Não são as manifestações que demitem governos. São os votos livres, anónimos e conscientes que dão legitimidade ao poder representativo. Não nos demitamos das nossas responsabilidades.

 

A inscrição para as directas já pode ser feita online. Vamos a isso.



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 19:41
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Sábado, 12 de Julho de 2014
Curtas 2

É na terra que o corpo acaba, ou que as cinzas se derramam pela acção da gravidade.

 

E no entanto olhamos para cima, perdidos entre as nuvens de um céu em que crentes ou incréus, instintivamente ligamos à eternidade.


Temas:

publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 19:46
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Curtas 1

Na ficção o amor descreve ciclos, começa e acaba de forma avassaladora, com o encontro ou com a separação dos amantes. Vivem um do outro, vivem um para o outro, não vivem um sem o outro. Há redenção e morte, paixão e ventura.

 

Na vida real a morte de um amante arrasta a solidão do outro, dia a dia, hora a hora, até que a solidão seja um hábito. A separação redunda em esquecimento ou amargura, sem negligência, feridas abertas ou lágrimas dolorosas, apenas a nitidez da rotina de sobreviver, ou de encontrar outro alguém com quem se vai partilhando o que resta da existência.

 

O que mais assusta é a banalidade, a quotidiana vivência das actividades mais ou menos reduzida ao primitivo e instintivo acto de manter o funcionamento do corpo.


Temas:

publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 19:45
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Sábado, 5 de Julho de 2014
SoWhat?

 

Quiosque Maritaca

17:00h

05/07/2014

 



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 11:54
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Quarta-feira, 2 de Julho de 2014
Quando
Arpad Szenes: Sophia
Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.

Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.

Sophia de Mello Breyner Andresen


publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 11:37
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Domingo, 29 de Junho de 2014
Há uma música do povo

E agora mais este (desfio a colocar música e poesia no facebook - a mim calhou-me a letra P, a pedido de uma amiga):

 

Mariza

Fernando Pessoa

Mário Pacheco

 

 

Há uma música do povo,

Nem sei dizer se é um fado...

Que ouvindo-a há um ritmo novo

No ser que tenho guardado...

 

Ouvindo-a sou quem seria

Se desejar fosse ser...

É uma simples melodia

Das que se aprendem a viver...

 

E ouço-a embalado e sozinho.

E essa mesmo que eu quis...

Perdi a fé e o caminho...

Quem não fui é que é feliz.

 

Mas é tão consoladora

A vaga e triste canção...

Que a minha alma já não chora

Nem eu tenho coração...

 

Sou uma emoção estrangeira,

Um eco de sonho ido...

Canto de qualquer maneira

E acabo com um sentido!


Temas:

publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 19:21
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Gaivota

A este desafio (colocar poesia e música no facebook - pediram-me a letra A), respondo com:

 

Amália

Alexandre O'Neil & Alain Oulman

 

 

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.


Temas:

publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 17:17
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Lembro dias abertos de asas olhando cumes de impossíveis. Lembro dias em que fomos casas conforto de mundos invisíveis. Por isso nos dias de gelo e brasas seremos abraços indestrutíveis. [Maria Sofia Magalhães]
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