Sábado, 20 de Setembro de 2014
Da minha janela

O Tejo

 

A verdadeira dor

a que não se bebe em lágrimas

a que não se aperta em aflição

entre os nós dos dedos

a que não embacia os cabelos

a que não se encarquilha na porosidade

e fragilidade do esqueleto

está na funda e incompreensível solidão

no silêncio de um mar que não termina

num infinito universo que elimina

a sôfrega vastidão do tempo.



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 14:40
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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2014
Maria de Lurdes Rodrigues

 

Da justiça temos uma ideia romântica de igualdade, imparcialidade e infalibilidade. De um sistema de justiça queremos que seja rápido, certeiro e rigoroso.

 

Não conheço Maria de Lurdes Rodrigues. Pertenço a uma área profissional totalmente distinta, nunca me cruzei com ela nem profissional nem socialmente. Tenho dela, no entanto, a maior das admirações e um enorme respeito pelo que tem lutado pelo serviço público de Educação, nomeadamente no governo de Sócrates.

 

Não seria intelectualmente honesto da minha parte se, agora, viesse a desacreditar todo o processo em que está envolvida. Ainda tenho esperança que o objectivo da justiça seja ser certeira e rigorosa, já que não é igual para todos os cidadãos, muito menos rápida.  Espero portanto, tal como todos o devemos fazer para todos os processos, o desenrolar dos acontecimento e a conclusão de que, ao contrário de ter prevaricado no exercício de um cargo público, o honrou e dignificou, como eu penso que o fez.

 

No entretanto presto-lhe a minha homenagem.



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 14:20
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Sábado, 13 de Setembro de 2014
Dos populismos e dos demagogos

 

Marinho e Pinto conseguiu uma votação expressiva nas eleições para o Parlamento Europeu com uma campanha populista, contra os maus políticos e a má política. Seria ele o paladino da moral e dos costumes da seriedade e do serviço público, em pose de Estado, um verdadeiro missionário pelo povo.

 

Mas descobriu que no Parlamento Europeu era só corrupção e ladroagem, um escândalo de ordenado que, no entanto, ele tem que aceitar, muito a contragosto, pois é pobre e a filha é emigrante. Descobriu que é noutros palcos e noutras arenas que a sua luta será mais grandiosa e mais popular. Por isso manifesta a sua disponibilidade para se candidatar às legislativas e/ ou à Presidência da República. A seu tempo o veremos decidir por qual ou a sequência de campanhas e eleições que se somarão.

 

No entretanto vai abalroando o partido que lhe deu guarida e já vai criar um novo partido, para o qual procura apoios.

 

Espero que lhe dêem muitas oportunidades de falar, de mostrar como defenderá o povo, no qual se inclui, dos demagogos e dos populistas. Mais uma vez, ninguém pode dizer que não sabia e que foi enganada. Está tudo à vista.

 

A democracia é mesmo uma superior forma de organização social.



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:27
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Vamos a jogo

Toda a gente percebeu a razão e o objectivo destas primárias no PS convocadas por António José Seguro - arrastar o mais possível a situação impossível dentro do partido, para arrefecer os ânimos exaltados com os resultados das europeias. Todos os estratagemas foram usados.

 

António Costa sabia disso e aceitou o repto. Disse, e quanto a mim muito bem, que não discutia os formalismos mas sim a substância, ou seja, a liderança do PS e portanto a a liderança da oposição.

 

Sendo assim não vale a pena estarmos agora com suspeições de golpes da parte de apoiantes de Seguro ou de apoiantes de Costa. Quem se inscreveu como simpatizante para votar conhecia as regras do jogo. E é com essas que teremos de jogar.

 

Para mim estas eleições serviram para expor ainda mais o tipo de liderança de António José Seguro.  As entrevistas que vai dando, os vídeos que disponibiliza na campanha, demonstram bem a fibra deste candidato a Primeiro-ministro.

 

Ninguém pode dizer que não sabia, que não esperava, que foi enganado - está à vista. Não cabe na cabeça de António José Seguro que lhe possam disputar aquilo que considera ser o seu prémio, merecido pela paciência de ter esperado 3 anos para poder concorrer a umas legislativas. É isso que lhe dói - o oportunismo de António Costa. O país só lhe faz falta para concretizar a sua ambição pessoal.

 

Para mim, e penso que para muita gente, está em causa o voto nas legislativas - no PS, caso ganhe António Costa, ou noutro partido, em branco ou nulo, caso ganhe António José Seguro.



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:03
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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2014
Um dia como os outros (145)

(...) o secretário-geral do PS terá decidido esconder quem é e o que pensa para evitar cisões nas hostes do PS, escondendo-se portanto do País do qual quereria ser primeiro-ministro. (...)

 

(...) ele aventa que sabe coisas terríveis, às quais terá assistido bem caladinho e das quais nem depois de eleito chefe falou, para não chatear ninguém - sendo que nem agora, que finalmente se soltou, diz que coisas são. (...)

 

(...) Percebe-se que alguém que achou que ser falso era a forma certa de manter o partido e chegar ao Governo não entenda que raio fez de errado; que quem acusa de traição aquele que o desafia não tenha capacidade ética para vislumbrar que a maior das traições - aos outros e a si - é fingir ser-se o que se não é. (...)

 

(...) Quem se confessa capaz de ser nada para chegar onde quer é bem capaz de tudo.

 

Fernanda Câncio



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 20:52
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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2014
Um dia como os outros (144)

(...) Nota final: a diferença entre o debate moderado por Clara de Sousa, sobre política e os problemas do país, e o debate moderado por Judite de Sousa, sobre zangas de comadres, é da noite para o dia. Ontem, não houve interrupções inúteis e perguntas vazias. Firme, sóbria e eficaz. O que se quer de quem modera um debate. Uma raridade no jornalismo televisivo português.

 

Daniel Oliveira



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 17:30
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Das reformas inadiáveis

Vários governos falaram, sempre com carácter de urgência, da indispensável reforma do SNS para que se garantisse a sua sustentabilidade e, consequentemente, a sua existência.

 

Trinca e cinco anos depois da sua fundação, essa urgência ainda não foi implementada. Temos um sistema pesado, assimétrico, com enormes falhas de acessibilidade, com recursos humanos desajustados às actuais necessidades. O país mudou, a distribuição etária, demográfica e de patologias é muito diferente, a oferta tecnológica de meios complementares é infinitamente superior, as terapêuticas também se modificaram, resultantes dos diferentes métodos de diagnóstico e os custos subiram astronomicamente.

 

Neste momento o SNS está centrado nos hospitais. As urgências transformaram-se na porta de entrada dos cuidados de saúde e as consultas externas enchem os gabinetes, as salas de espera e os corredores hospitalares, esticando os tempos de espera para marcações não consentâneos com um correcto e eficaz atendimento. Neste grupo de consultas externas estão as 1ª consultas que resultam da referenciação efectuada nos CS e as de follow-up de situações anteriormente tratadas no hospital.

 

Porque não se deslocam as consultas para os CS? Porque não existem médicos especialistas a fazer consultas de especialidade nos CS? Ginecologia, Pediatria, Gastrenterologia, Endocrinologia, …? Porque não podem ser efectuados alguns pequenos actos cirúrgicos em gabinetes devidamente equipados nos CS? Porque não se oferecem consultas de Oftalmologia, ORL e Odontologia no SNS, nos CS? Porque não se formam Enfermeiros e outros técnicos de saúde para, nos próprios CS ou nos domicílios, fazerem atendimento e acompanhamento de doentes crónicos, diabéticos, insuficientes cardíacos ou oncológicos, com grandes ganhos de conforto e qualidade para os doentes e redução de custos para o Estado?

 

Os hospitais deveriam ser locais de passagem para as fases agudas e graves, que não pudessem ser tratadas em casa e/ ou nos CS. Para isso é preciso que haja vontade política e que as várias corporações ligadas à saúde compreendam que ou se altera a cultura instalada ou se desmantela o SNS, um dos maiores factores de promoção de efectiva igualdade numa sociedade que se pretende solidária e democrática.

 

Era este o género de discussão a que eu gostava de assistir entre os candidatos a líderes no PS. Ou noutro partido qualquer. Estes são os assuntos importantes, não os estados de alma, ofensas ou juras de lealdade.

 

Nota: Esta entrevista a Marta Temido, Presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, é muito interessante.


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publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 17:20
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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2014
Dos resultados dos (tristes) debates

A votação em qualquer dos candidatos a líder está já decidida e estes debates não servem para ninguém, simpatizante ou militante do PS, optar por qualquer deles. Quem é militante já escolheu e quem se inscreveu como simpatizante também.

 

Estes debates servem para o eleitorado, no geral, dependendo do líder do PS, ponderar votar ou não no PS. Por isso é tão importante que António Costa fale para fora.



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:39
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Dos (tristes) debates (2)

O problema dos debates políticos é também de quem modera. Se o moderador fizer perguntas do tipo daquelas que ocuparam ontem mais de metade do tempo do debate entre António Costa e António José Seguro, teremos meia hora de uma telenovela. Aliás os programas de informação estão transformados em dramas romanescos, cheios de desculpas, deslealdades e traições, olhos nos olhos e mão na mão, frases angustiadas e grandes declarações de paixão.

 

O debate de hoje foi menos envergonhante. Ou seja, quem o viu, como eu, sentiu menos vergonha do que ouvia.

 

Penso que correu bem para António Costa. Mas tem que falar mais para o país, falar do que é preciso fazer, de como mobilizar as pessoas, de como combater na Europa. Percebo e concordo que as especificidades são prematuras, mas tem que haver um discurso sobe as grandes linhas que defende.



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:29
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Terça-feira, 9 de Setembro de 2014
Da deslealdade

O combate democrático dentro do partido Socialista, a crença de que o PS não poderia ganhar as próximas eleições legislativas, ou seja, destronar a coligação PSD/CDS, isso não interessa a António José Seguro e a quem continua a discutir a deslealdade de António Costa.

 

Para António José Seguro o que interessa é ele ir a eleições, não o PS ganhar as eleições. Isto é alucinante.



publicado por Sofia Loureiro dos Santos às 21:40
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Lembro dias abertos de asas olhando cumes de impossíveis. Lembro dias em que fomos casas conforto de mundos invisíveis. Por isso nos dias de gelo e brasas seremos abraços indestrutíveis. [Maria Sofia Magalhães]
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